O petróleo fechou em alta nesta terça-feira (14), mas perdeu força ao longo do pregão depois que Donald Trump recuou da cobrança de uma taxa de 20% sobre a escolta de navios no Estreito de Ormuz. A tensão no Oriente Médio manteve os preços pressionados, enquanto a mudança de posição do presidente dos Estados Unidos reduziu o temor de uma escalada imediata nos custos de navegação na região.
O Brent, referência internacional, avançou 1,72%, a US$ 84,73, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI, referência dos Estados Unidos, subiu 1,54%, a US$ 79,34, na New York Mercantile Exchange (Nymex). A alta mostra que o mercado ainda embute prêmio de risco geopolítico, mesmo após o alívio provocado pelo recuo de Trump.
Recuo reduz pressão, mas não elimina risco em Ormuz
Na segunda-feira (13), Trump havia anunciado a cobrança de 20% sobre a escolta de navios no Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o comércio global de energia. A proposta provocou reação de Luiz Inácio Lula da Silva, que chamou a medida de “pirataria”.
A desistência da cobrança mudou o sinal do mercado durante a sessão: o petróleo continuou subindo, mas deixou de refletir um cenário de encarecimento mais agressivo no transporte marítimo. Ainda assim, o preço permanece em patamar elevado porque a região segue no centro das preocupações de investidores, refinarias e empresas de navegação.
A volatilidade já vinha contaminando outros ativos. Na segunda, o dólar subiu a R$ 5,13 em meio à crise no Oriente Médio, enquanto o bitcoin também recuou. Em junho, um alívio temporário nas tensões entre Estados Unidos e Irã levou o Brent para a casa de US$ 75, mas o movimento perdeu força com a retomada da incerteza na região.
Por que isso importa para o Brasil
Para o Brasil, a alta do Brent importa porque o petróleo é uma das referências do custo de combustíveis, fretes e insumos. Mesmo sem um repasse automático e imediato ao consumidor, uma cotação mais alta aumenta a pressão sobre gasolina e diesel, sobretudo quando vem acompanhada de dólar mais forte.
O efeito também chega à Bolsa. Em 15 de junho, quando o petróleo caiu mais de 5%, a Petrobras ajudou a puxar o Ibovespa para uma queda de 0,42%, sinal da sensibilidade do mercado brasileiro à commodity. Em sentido contrário, preços mais altos podem favorecer receitas ligadas à produção, mas também elevam o risco inflacionário se forem repassados à cadeia de combustíveis.
O próximo ponto de atenção é a combinação entre Ormuz, dólar e política de preços no mercado doméstico. Se o Brent permanecer perto de US$ 84,73 e o câmbio seguir pressionado, o debate sobre combustíveis volta a ganhar peso nas expectativas de inflação e nas decisões de empresas expostas a transporte e energia.











