O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira (13) que “não vai ter tarifaço” dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, às vésperas do prazo para a Casa Branca decidir se aplica novas sobretaxas às exportações do país.
A declaração foi dada à TV Vanguarda durante agenda em São José dos Campos (SP). Lula respondeu de forma breve a jornalistas e não detalhou os motivos do otimismo. A decisão americana é esperada até quarta-feira (15), em uma semana considerada decisiva para o comércio bilateral.
Nos bastidores do governo, porém, a preparação segue em direção oposta ao tom adotado pelo presidente. A equipe econômica aguarda o conteúdo do anúncio para medir o alcance das tarifas e definir a resposta brasileira, que pode passar por medidas diplomáticas, novas negociações e, em cenário mais duro, pelo uso da Lei de Reciprocidade Econômica.
O que está na mesa
Os Estados Unidos discutem duas frentes de cobrança sobre produtos brasileiros. A primeira prevê tarifa de 25% com base em investigação da Seção 301 da Lei de Comércio americana, aberta em junho e associada a temas como barreiras não tarifárias, desmatamento ilegal, pirataria e o sistema de pagamentos instantâneos PIX.
A segunda envolve uma taxa adicional de 12,5% ligada a questionamentos sobre combate ao trabalho forçado. Em ambos os casos, Washington indicou exceções para reduzir o impacto sobre determinados produtos, mas a lista final de setores atingidos depende da publicação oficial.
O risco é relevante porque a medida pode encarecer mercadorias brasileiras no mercado americano e reduzir competitividade de exportadores. Uma estimativa da Amcham citada em junho apontou que a tarifa poderia alcançar US$ 15 bilhões em vendas externas do Brasil por ano, a depender do desenho final das cobranças.
Reação brasileira depende do alcance das tarifas
A Lei de Reciprocidade Econômica permite ao Brasil responder a barreiras comerciais impostas por outros países. A ferramenta, no entanto, é tratada com cautela por parte do setor produtivo e por lideranças políticas ligadas ao comércio exterior.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura, defendeu que a lei seja usada apenas como “último recurso” e que o governo mantenha as negociações com Washington. O alerta reflete a preocupação de exportadores com uma escalada tarifária que atinja cadeias como agronegócio e indústria de transformação.
O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que os resultados da investigação serão divulgados dentro do prazo. Até lá, o governo brasileiro trabalha com dois movimentos simultâneos: sustentar publicamente a aposta em uma solução negociada e preparar uma resposta caso a Casa Branca confirme as sobretaxas.
A decisão de quarta-feira deve definir se a crise fica no campo da negociação diplomática ou se entra em uma fase de retaliação comercial, com impacto direto sobre empresas brasileiras que vendem para o mercado americano.










