Os partidos PSTU, PCB e UP criticaram nesta segunda-feira (13) a polarização entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT) na disputa pelo governo de São Paulo. A manifestação ocorre após pesquisa Datafolha mostrar que as três siglas, juntas, somam 13% das intenções de voto, enquanto Tarcísio lidera com 46% e Haddad tem 30%.
O levantamento, divulgado em 5 de julho, acendeu o debate sobre a viabilidade de uma terceira via no estado. Os candidatos dos partidos menores afirmam que o eleitorado demonstra cansaço com a repetição do confronto entre o bolsonarismo e o petismo, que domina a política paulista desde 2022. “A população está farta dessa falsa escolha. Queremos apresentar um projeto popular e socialista para São Paulo”, disse Vera Lúcia, candidata do PSTU, em entrevista à Folha de S.Paulo.
O desempenho dos nanicos, embora distante dos líderes, representa um crescimento em relação a 2022, quando as candidaturas de esquerda alternativa tiveram votação inexpressiva. Na ocasião, Tarcísio venceu Haddad no segundo turno por 55,3% a 44,7%. Agora, a fragmentação da esquerda é apontada como um dos fatores que dificultam a recuperação do petista, que tem a maior rejeição entre os eleitores, com 47%, segundo o Datafolha. A pesquisa, que ouviu 2.000 eleitores entre os dias 1º e 3 de julho e tem margem de erro de dois pontos percentuais, foi a primeira do instituto com o cenário consolidado para 2026, conforme mostrou o PIRANOT em 1º de julho.
O discurso contra a polarização
Carlos Machado, candidato do PCB, afirmou que a insistência na polarização “impede o debate de ideias e mantém São Paulo refém de dois projetos que não representam os trabalhadores”. Ele defendeu a estatização dos transportes e a revogação das privatizações realizadas por Tarcísio. Já Vivian Mendes, da UP, criticou o que chamou de “monopólio da mídia” sobre a cobertura eleitoral e cobrou a inclusão dos partidos menores nos debates televisionados.
As críticas se somam a um cenário em que a esquerda está dividida em pelo menos quatro candidaturas, incluindo a de Haddad. O PT tenta consolidar palanques no interior, como em Campinas, mas enfrenta a concorrência das siglas menores, que também buscam espaço em regiões como Piracicaba. A definição desses apoios locais é considerada crucial para o desempenho no primeiro turno.
O peso dos 13%
Embora numericamente modestos, os 13% conquistados por PSTU, PCB e UP podem ser decisivos em uma eleição que, segundo o Datafolha, tem chance de ser resolvida já no primeiro turno. Para isso, Tarcísio precisaria obter mais de 50% dos votos válidos, cenário que depende da capacidade de Haddad de unificar a esquerda. Até agora, porém, o petista não conseguiu atrair o apoio formal desses partidos, que insistem em candidaturas próprias.
“Não vamos retirar nossas candidaturas para apoiar o Haddad, que representa o continuísmo das políticas neoliberais”, disse Vera Lúcia. A postura é semelhante à adotada em 2022, quando o PSTU e o PCB não apoiaram o petista no segundo turno, contribuindo para a vitória de Tarcísio.
Próximos passos
Os partidos menores prometem intensificar a campanha nas periferias e nas fábricas, com foco na crítica ao governo Tarcísio e à gestão Haddad na Fazenda. Eles também pressionam pela realização de debates com a participação de todos os candidatos, o que ainda não está confirmado pelas emissoras de televisão. A três meses da eleição, a janela para reverter a polarização é estreita, mas os nanicos apostam no voto de protesto para ampliar sua influência no cenário político paulista.











