segunda-feira, 13 de julho de 2026
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Economia

Inflação da Venezuela dobra em junho e chega a 544% ao ano, aponta observatório

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • O salto interrompe um período de relativa estabilização de preços no país vizinho.
  • O observatório não divulgou a taxa mensal, o que limita a análise da aceleração inflacionária.
  • O agravamento da crise pode intensificar a pressão migratória sobre Roraima, sobretudo em Pacaraima e Boa Vista.
  • A Venezuela já registrou hiperinflação superior a 1.000.000% ao ano em 2018, segundo o FMI.

A inflação anual da Venezuela atingiu 544% em junho, o dobro do índice registrado em maio, segundo dados do Observatório Venezuelano de Finanças (OVF) divulgados nesta segunda-feira (13). O salto interrompe um período de relativa estabilização e recoloca o país no patamar de hiperinflação que marcou a última década.

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O OVF não detalhou a variação mensal de junho, o que impede calcular a aceleração exata em relação a maio. A taxa anualizada de 544% representa uma forte piora em relação aos meses anteriores, quando a inflação havia mostrado sinais de desaceleração. A ausência do dado mensal limita a análise sobre a intensidade da nova escalada de preços.

A crise inflacionária tem reflexos diretos na fronteira norte do Brasil. O fluxo migratório de venezuelanos para Roraima, que já pressiona serviços públicos em Pacaraima e Boa Vista, pode se intensificar com o agravamento da economia do país vizinho. O comércio bilateral também sente os efeitos da instabilidade, com queda na capacidade de consumo das famílias venezuelanas.

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Histórico de hiperinflação e tentativas de controle

A Venezuela enfrenta um ciclo de hiperinflação desde 2017, com picos anuais superiores a 1.000.000% em 2018, segundo registros do Fundo Monetário Internacional (FMI). Nos últimos anos, o governo de Nicolás Maduro adotou medidas como a dolarização informal e intervenções cambiais do Banco Central da Venezuela (BCV) para conter a desvalorização do bolívar. Apesar de uma trégua em 2024 e no início de 2025, os preços voltaram a disparar.

Em junho, o PIRANOT revelou que o governo venezuelano prepara uma reestruturação de dívida que pode somar US$ 240 bilhões, incluindo passivos com a China e a Rússia. A escalada inflacionária adiciona pressão sobre as já combalidas contas públicas e pode complicar as negociações com credores internacionais.

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Pressão na fronteira e resposta regional

O estado de Roraima é a principal porta de entrada de venezuelanos no Brasil. Dados da Polícia Federal mostram que o fluxo migratório aumentou 30% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Com a nova alta de preços, a expectativa é de que mais famílias cruzem a fronteira em busca de alimentos, medicamentos e trabalho.

Na vizinha Colômbia, o banco central elevou os juros para 12% em junho para conter pressões inflacionárias, conforme noticiou o PIRANOT. A medida reflete o esforço de países da região para blindar suas economias contra a instabilidade venezuelana, mas o impacto sobre o comércio fronteiriço ainda é incerto.

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Próximos passos e incertezas

O Banco Central da Venezuela ainda não se manifestou sobre os dados do OVF. A falta de divulgação oficial de indicadores econômicos é uma prática recorrente do governo Maduro, que desde 2019 deixou de publicar regularmente as taxas de inflação. A próxima atualização do FMI sobre a economia venezuelana está prevista para outubro e pode trazer um panorama mais completo.

Enquanto isso, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) monitora a situação na fronteira. A entidade alerta que a combinação de inflação elevada, escassez de produtos básicos e instabilidade política pode levar a um novo êxodo, repetindo os picos de 2018 e 2021. O governo brasileiro, por meio da Operação Acolhida, mantém abrigos e postos de triagem, mas a capacidade de atendimento está no limite.

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