O governo do Rio de Janeiro anunciou nesta segunda-feira (13) que as diretorias de administração, finanças, seguridade e investimentos do Rioprevidência passarão a ser ocupadas exclusivamente por servidores de carreira da Previdência Social. A medida é uma resposta direta à liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central, e às investigações da Polícia Federal sobre R$ 3 bilhões em aplicações do fundo dos servidores estaduais em ativos da instituição.
O Rioprevidência é responsável pelas aposentadorias e pensões de mais de 400 mil servidores ativos, inativos e pensionistas do estado. A exposição ao Master, banco que teve a falência decretada por envolvimento em fraudes bilionárias atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, coloca em risco parte significativa do patrimônio do fundo.
A Polícia Federal apura se os aportes, iniciados em novembro de 2023 com R$ 40 milhões e ampliados para R$ 200 milhões em dezembro do mesmo ano, foram direcionados por influência do então governador Cláudio Castro. Em maio, Castro foi alvo de mandados de busca e apreensão na oitava fase da Operação Compliance Zero, que investiga o caso Master.
Cronologia dos aportes e a operação da PF
Os investimentos do Rioprevidência no Master começaram em 1º de novembro de 2023, com R$ 40 milhões. Em 14 de dezembro, o fundo aplicou mais R$ 200 milhões, totalizando R$ 240 milhões apenas nos dois primeiros meses. A PF identificou que, na véspera do primeiro aporte, Castro esteve na casa de Vorcaro, em encontro que é investigado como parte do suposto esquema de favorecimento.
Em 26 de maio de 2026, a PF deflagrou a operação que mirou Castro e apontou que o Rioprevidência investiu R$ 3,7 bilhões em fundos e letras financeiras ligadas ao Master. O valor sob investigação, no entanto, é de R$ 3 bilhões, conforme fontes da apuração. A suspeita é de que o ex-governador operou politicamente para viabilizar as transferências.
O que muda na estrutura do fundo
Com a nova regra, os cargos de diretor de administração e finanças, diretor de seguridade e diretor de investimentos serão privativos de integrantes da carreira de especialista em Previdência Social. A intenção, segundo o comunicado do governo, é blindar a gestão dos recursos contra ingerências políticas.
O comunicado oficial, no entanto, não informou os nomes dos novos diretores nem detalhou se os ocupantes anteriores foram exonerados ou afastados. Também não há menção a um plano de recuperação dos valores aplicados no Master, hoje sob liquidação. A ausência dessas informações deixa em aberto a efetividade da medida para mitigar o prejuízo já causado.
Impacto e incertezas para os servidores
A crise no Rioprevidência se soma a outros desafios de fundos públicos. Em junho, o Supremo Tribunal Federal manteve a regra de repasses do Fundo dos Estados, garantindo fluxo até 2027, como mostrou o PIRANOT. Agora, a incerteza recai sobre a capacidade de o fundo fluminense honrar seus compromissos sem que os recursos aplicados no Master sejam recuperados.
O Banco Central não divulgou estimativa de recuperação para credores do Master. Sem esse dado, o rombo efetivo no Rioprevidência permanece desconhecido. A Polícia Federal segue com as investigações, e o governo do Rio afirmou que colabora com as apurações.
A expectativa é que a nomeação dos novos diretores ocorra nos próximos dias, mas a recuperação dos bilhões aplicados depende do desfecho da liquidação do Master e de eventuais ações judiciais. Enquanto isso, os servidores acompanham com apreensão o destino de seu fundo de pensão.











