Diego Forlán vai comandar a seleção do Uruguai de forma interina após a eliminação da Celeste na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 e a saída de Marcelo Bielsa. Ídolo de uma das gerações mais marcantes do futebol uruguaio, o ex-atacante assume com contrato até março de 2027.
A escolha dá à Associação Uruguaia de Futebol uma solução de curto prazo em um momento de transição. O vínculo de Forlán atravessa o período eleitoral da entidade, previsto para o fim de 2026, e evita que a atual direção entregue à próxima gestão um treinador já definido para todo o ciclo da Copa de 2030.
Bielsa deixou o cargo depois do fim da participação uruguaia no Mundial. O contrato do argentino valia até a conclusão da campanha na Copa e não foi renovado após a queda precoce, resultado que abriu uma crise esportiva em uma seleção acostumada a competir em alto nível no continente.
Ídolo chega como solução política e esportiva
Forlán carrega um peso simbólico raro no futebol uruguaio. Foi eleito o melhor jogador da Copa do Mundo de 2010, quando liderou a Celeste ao quarto lugar, e se tornou referência técnica e emocional de uma equipe que voltou ao primeiro plano internacional naquela década. No Brasil, também ficou conhecido pela passagem pelo Internacional, entre 2012 e 2014.
A aposta, porém, envolve risco. Como treinador, Forlán ainda tem trajetória curta: comandou o Peñarol em 2020 e o CA Atenas em 2021, ambos por períodos breves. A seleção uruguaia será seu trabalho de maior exposição à beira do campo e o primeiro em uma equipe nacional principal.
O desafio imediato é reconstruir o ambiente da Celeste depois da frustração na Copa. A passagem de Bielsa, marcada por intensidade e cobrança, terminou sem o salto competitivo esperado no Mundial. Forlán chega com capital afetivo junto ao torcedor e ao futebol local, mas precisará transformar esse prestígio em comando de vestiário.
Contrato curto adia decisão sobre o ciclo de 2030
O prazo até março de 2027 indica que a AUF não trata a nomeação como definição definitiva para a próxima Copa. A nova direção da entidade deverá decidir se mantém Forlán, se abre negociação com outro técnico ou se busca um nome com mais experiência para conduzir o ciclo completo até 2030.
Paulo Pezzolano, uruguaio com passagem pelo Cruzeiro, apareceu entre os nomes discutidos no mercado local para um projeto mais longo. Por ora, a escolha recai sobre Forlán, que deve comandar a seleção em amistosos e nos primeiros compromissos da preparação para as próximas Eliminatórias.
A consequência prática é clara: o Uruguai ganha um técnico identificado com sua história, mas mantém em aberto a decisão estratégica sobre 2030. Até março de 2027, Forlán terá poucos meses para provar que pode ser mais do que uma ponte entre o fim da era Bielsa e o próximo projeto da Celeste.











