Aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passaram a defender que o senador deixe para mais perto das convenções partidárias a definição do nome que disputará o Senado pelo Rio de Janeiro em 2026. A pressão cresceu depois que operações da Polícia Federal e decisões judiciais atingiram nomes que circulavam na composição do palanque bolsonarista no estado.
A leitura no entorno do senador é pragmática: anunciar agora um candidato exporia o escolhido a semanas de desgaste antes mesmo do início formal da temporada de convenções, marcada para 20 de julho. O calendário aperta, mas ainda dá margem a uma decisão mais adiante. As chapas precisam ser registradas até 15 de agosto.
O quadro mudou em sequência. O governador Cláudio Castro (PL), tratado como o principal nome do grupo para a vaga, teve a pré-candidatura retirada em 15 de junho após decisão do Tribunal Superior Eleitoral que o tornou inelegível. Com a saída de Castro, o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil) ganhou espaço como alternativa, mas também saiu do centro da articulação depois de ser preso pela PF em 7 de julho, na 6ª fase da Operação Unha e Carne.
PF embaralha a sucessão de nomes
A Operação Unha e Carne investiga um esquema de lavagem de dinheiro em postos de combustíveis. No caso de Canella, a prisão ocorreu após agentes encontrarem um fuzil na mala de um carro, o que levou à autuação por porte ilegal de arma de uso restrito. A ação também mirou o delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio.
A sucessão de baixas atingiu justamente o momento em que Flávio tenta organizar o palanque fluminense e manter sob controle a disputa interna por espaço na direita do Rio. O Senado é peça estratégica: além de acomodar aliados locais, a escolha ajuda a medir a força do bolsonarismo no estado que projetou politicamente a família Bolsonaro.
Com Castro fora do páreo e Canella enfraquecido, o PL passou a avaliar alternativas. Entre os nomes citados está o ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella. Também circula no partido a possibilidade de a mãe de Flávio Bolsonaro ocupar uma suplência na chapa, composição que reforçaria o controle familiar sobre a articulação eleitoral no estado.
Decisão fica nas mãos de Flávio
Interlocutores do PL afirmam que a palavra final sobre o nome e o momento do anúncio caberá a Flávio. A recomendação de adiar não significa abandonar a disputa, mas reduzir o período de exposição do escolhido em um ambiente considerado instável por aliados.
Parte do entorno do senador também teme que uma definição antecipada amplie a pressão jurídica e política sobre a chapa antes das convenções. O receio é que o candidato escolhido vire alvo preferencial de adversários e carregue o desgaste de operações recentes para dentro da campanha.
O prazo formal dá a Flávio pouco mais de um mês para reorganizar a chapa. Até lá, o PL tenta equilibrar três objetivos: preservar o palanque bolsonarista no Rio, evitar nova baixa antes do registro eleitoral e chegar a 15 de agosto com um candidato competitivo para o Senado.










