Ibaneis Rocha (MDB) desistiu nesta quarta-feira (8) de disputar uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal, quatro meses depois de deixar o governo local para abrir caminho à candidatura. O recuo tira da mesa um dos nomes de maior peso eleitoral no DF e obriga MDB, PP e PL a refazerem as contas da chapa majoritária de 2026.
O ex-governador atribuiu a decisão a razões pessoais em declarações divulgadas nesta quarta. A explicação encerra, por ora, uma aposta eleitoral que começou em março, quando Ibaneis se desincompatibilizou do cargo e transferiu o comando do Palácio do Buriti à então vice-governadora Celina Leão (PP).
A desistência tem efeito imediato sobre a direita brasiliense. Ibaneis governou o Distrito Federal por dois mandatos consecutivos, acumulou estrutura partidária e administrativa no MDB e era peça relevante na negociação com o PP de Celina e com o PL, legenda que também calcula espaço para a eleição ao Senado.
Recuo esvazia plano eleitoral aberto em março
A linha do tempo dá a dimensão do desgaste político: em 1º de março, Ibaneis deixou o governo para cumprir a exigência de afastamento de ocupantes do Executivo que pretendem disputar outro cargo; em 8 de julho, anunciou que não concorrerá. A candidatura ao Senado, portanto, durou pouco mais de quatro meses como projeto público.
O movimento também ocorre em meio a dois fatores que pesavam sobre o ex-governador. O primeiro é o rompimento público com Celina Leão, sua sucessora no governo do DF. O segundo é a investigação do caso Master/BRB, que envolve o Banco de Brasília e na qual Ibaneis aparece como investigado. A investigação não equivale a culpa nem muda, por si só, a situação eleitoral do ex-governador; o efeito concreto da decisão desta quarta é político.
Ao sair da disputa, Ibaneis deixa o MDB sem seu principal nome para o Senado no DF e reduz a previsibilidade da aliança que governou Brasília nos últimos anos. O partido terá de decidir se lança outro quadro competitivo, se busca compensação em outro posto da chapa ou se negocia apoio dentro de um arranjo mais amplo com PP e PL.
Celina e Michelle passam a concentrar a negociação
Com Ibaneis fora, Celina Leão ganha centralidade na recomposição local. A governadora precisa administrar a sucessão do grupo que herdou no Buriti ao mesmo tempo em que tenta consolidar sua própria liderança no campo conservador do DF. O rompimento com o ex-aliado torna essa costura menos automática.
Michelle Bolsonaro também entra no cálculo. A ex-primeira-dama é tratada pelo PL como ativo eleitoral no Distrito Federal, mas a legenda ainda avalia como acomodar seus nomes e aliados na disputa ao Senado. Izalci Lucas segue como alternativa do partido no DF, enquanto a definição sobre Michelle interfere no tamanho do espaço disponível para uma composição com MDB e PP.
A pergunta central agora é se a saída de Ibaneis facilita uma chapa conservadora unificada ou se abre uma disputa interna por vagas. Sem o ex-governador, o tabuleiro perde um candidato com mandato recente, capilaridade local e controle histórico de uma máquina partidária relevante.
Partidos terão de redesenhar a chapa de 2026
O próximo passo cabe às direções partidárias. MDB, PP e PL terão de reorganizar a composição da chapa majoritária no Distrito Federal, definir quem ocupará o espaço aberto na disputa ao Senado e medir o custo de cada aliança antes das convenções de 2026.
Para o eleitor do DF, a consequência prática é direta: o ex-governador que deixou o Buriti em março para tentar o Senado não estará na urna nessa disputa. Para os partidos, a desistência transforma uma candidatura dada como estratégica em vaga aberta numa negociação que passa a concentrar Celina Leão, Michelle Bolsonaro, MDB, PP e PL.











