O Brasil recuou da terceira para a quarta posição no ranking global de intenção de contratação para o terceiro trimestre de 2026, segundo levantamento do ManpowerGroup. O índice nacional caiu de 63% para 52% — recuo de 11 pontos percentuais em relação ao segundo trimestre —, mas o patamar mantém mais da metade das empresas brasileiras planejando abrir vagas nos próximos meses, entre os índices mais elevados registrados no mundo.
O setor de seguros e finanças é o principal vetor do desempenho brasileiro no ranking. Nesse segmento, o Brasil supera economias de maior porte e ocupa posição de destaque entre os primeiros colocados globais — um diferencial que sustenta a presença do país no topo do índice mesmo em um trimestre de acomodação do otimismo corporativo.
O índice do ManpowerGroup mede a intenção declarada dos empregadores — e não a criação efetiva de postos de trabalho —, funcionando como termômetro do ânimo das empresas. O recuo no indicador reflete um ambiente de negócios mais cauteloso: a proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada pelo governo dos Estados Unidos em junho, adicionou incerteza às projeções de médio prazo, ainda que a maioria das companhias siga planejando crescimento nos quadros.
Alta nas contratações expõe gargalo na integração de novos profissionais
O ritmo de contratações revelado pela pesquisa escancara um problema estrutural do mercado brasileiro: o processo de integração de profissionais recém-admitidos — o chamado onboarding — ainda é avaliado como deficiente pelas próprias empresas. Contratar em escala não garante, por si só, retenção de talentos nem desempenho consistente das equipes recém-formadas.
Com 52% de intenção de contratar, o Brasil segue à frente de economias desenvolvidas de maior porte — mesmo com fôlego menor do que nos trimestres anteriores, quando o país ocupava o pódio. Para as empresas que seguem ampliando quadros, a pesquisa sinaliza um desafio adicional: absorver bem quem chega, em vez de apenas multiplicar admissões.









