Investidores estrangeiros retiraram R$ 410,8 milhões em ações da B3 na quinta-feira (25/6), mesmo dia em que o Ibovespa fechou em alta de 0,87% — segunda sessão consecutiva em que a bolsa sobe enquanto o capital externo deixa o país. Na semana anterior, em 23 de junho, os estrangeiros já haviam sacado R$ 1 bilhão com o índice também positivo (+0,52%).
No mesmo pregão, investidores institucionais entraram com R$ 237,2 milhões, enquanto pessoas físicas sacaram R$ 70 milhões. A saída estrangeira representou 17% do total retirado no dia, mas não foi suficiente para travar o índice — sustentado pela entrada institucional e pela recomposição de carteiras locais.
Em junho, o saldo de estrangeiros na B3 acumula déficit de R$ 8,7 bilhões. No ano, porém, o fluxo segue positivo em R$ 32,8 bilhões — a retirada de 25 de junho equivale a 1,25% desse colchão acumulado.
Uma sequência de saídas em junho
O mês de junho concentrou uma série de movimentos de desinvestimento. Em 11 de junho, a retirada chegou a R$ 1,5 bilhão em um único pregão — o maior volume do mês. Quatro dias depois, em 15 de junho, foram R$ 751 milhões a menos. Em 19 de junho o fluxo virou positivo em R$ 72,8 milhões, mas o alívio foi insuficiente para mudar o quadro. As saídas de R$ 1 bilhão em 23 de junho e de R$ 410,8 milhões em 25 de junho completaram o rombo mensal.
A combinação de Ibovespa em alta com retirada estrangeira, observada em dois pregões seguidos, aponta para uma dissociação entre o desempenho do mercado acionário e a confiança do capital externo no curto prazo. Investidores domésticos — institucionais e pessoas físicas — têm sido o principal motor da bolsa nas sessões recentes.
Dólar e juros na mira
A saída de estrangeiros da renda variável pressiona o câmbio ao reduzir a oferta de dólares no mercado local. A valorização da moeda americana encarece importações e amplifica a inflação de bens dolarizados. No canal dos juros, a redução da liquidez externa tende a elevar prêmios de risco e pressionar a curva futura, com reflexo direto no custo do crédito para empresas e consumidores.
O movimento de junho não é isolado. Em maio, conforme informações divulgadas, o fluxo de portfólio estrangeiro no Brasil — somando ações e renda fixa — foi negativo em US$ 5,5 bilhões, sinalizando uma tendência de desinvestimento anterior ao mês atual.
O mercado acompanha de perto as próximas reuniões do Copom e eventuais leilões de câmbio do Banco Central, que pode intervir para conter a volatilidade. O saldo anual positivo de R$ 32,8 bilhões ainda oferece margem, mas o ritmo das saídas em junho — R$ 8,7 bilhões em menos de quatro semanas — coloca o fluxo externo entre os principais fatores de atenção dos gestores de risco no encerramento do primeiro semestre.









