sábado, junho 27
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Brasil

Pesquisa revela 25 agrotóxicos, microplásticos e cocaína nas águas do Tietê

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Levantamento foi apresentado nesta quinta-feira na Assembleia Legislativa de São Paulo.
  • SOS Mata Atlântica também encontrou microplásticos e cocaína em amostras do rio.
  • A divulgação não informou concentrações nem a lista completa das substâncias detectadas.
  • Resultado amplia a pressão por saneamento, fiscalização ambiental e controle de despejos.
  • Governo paulista criou em 2025 um grupo integrado para fiscalizar as águas do Tietê.

O perfil químico mais detalhado já produzido sobre a água do Rio Tietê identificou 25 tipos diferentes de agrotóxicos, além de microplásticos, cocaína e resíduos de medicamentos em praticamente toda a extensão do curso d’água. O levantamento, realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com quatro centros de pesquisa, foi apresentado nesta quarta-feira (25) na Assembleia Legislativa de São Paulo.

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A expedição científica durou cinco dias e percorreu o rio da nascente, na região serrana de Salesópolis, até a foz no Rio Paraná, em Itapura. Foram colhidas amostras em 14 pontos distintos, com participação de pesquisadores da Universidade de São Paulo. O resultado mostra que não existe trecho livre de poluição no maior rio paulista — e que a contaminação vai muito além do esgoto e da carga industrial historicamente associados ao Tietê.

Entre os compostos encontrados estão substâncias que ainda não integram os monitoramentos oficiais das autoridades ambientais. Os chamados contaminantes emergentes — fármacos, drogas ilícitas e fragmentos plásticos — somam-se aos agrotóxicos detectados ao longo de todo o percurso, configurando um quadro de degradação mais amplo do que o retratado pelos indicadores convencionais de qualidade da água.

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Governo de SP aplica R$ 14,6 milhões em multas e cria grupo de fiscalização

A pressão sobre o Tietê não é nova. O Governo de São Paulo aplicou R$ 14,6 milhões em multas por poluição no rio, conforme registros de fiscalização ambiental. Em março de 2025, o estado criou o Grupo de Fiscalização Integrada das Águas do Rio Tietê, com o objetivo de articular ações de monitoramento e repressão a despejos irregulares ao longo da bacia.

Agora, os dados apresentados na Alesp adicionam uma camada de complexidade a esses esforços: os contaminantes identificados escapam dos parâmetros habitualmente medidos, o que significa que o sistema de fiscalização pode estar subdimensionando o real nível de degradação. A pesquisa não detalhou, na apresentação legislativa, as concentrações de cada substância nem os efeitos específicos sobre a saúde humana e os ecossistemas.

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Próximos passos dependem de publicação integral do relatório

Com o estudo protocolado no Legislativo paulista, deputados, órgãos ambientais e o executivo estadual ganham subsídio técnico para cobrar a inclusão dos contaminantes emergentes nos monitoramentos regulares. A definição de novas autuações e a ampliação dos parâmetros de análise, no entanto, dependem da publicação integral do relatório — ainda sem prazo divulgado pela Alesp ou pela SOS Mata Atlântica.

O passo imediato é a entrega da metodologia completa e do cronograma de novas coletas aos órgãos responsáveis por água, meio ambiente e fiscalização. Sem esses elementos, o diagnóstico corre o risco de ficar restrito ao registro parlamentar sem se traduzir em política pública verificável.


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