segunda-feira, junho 29
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Economia

Câmara mantém em suspense votação de dívidas rurais; produtores cobram prazo

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que o texto precisa ser analisado com cuidado, mas não adiantou cronograma.
  • Nenhuma das estimativas, porém, foi corroborada por documento oficial de órgãos como o Ministério da Fazenda ou a Secretaria do Tesouro Nacional.
  • O governo já acionou o Supremo Tribunal Federal para conter pautas que ameacem o orçamento, conforme revelado pelo PIRANOT na semana passada.
  • O projeto (PL 5122/2023) passou pelo Senado com apoio da FPA e, desde então, enfrenta resistência do governo federal, que estima um custo fiscal de R$ 120 bilhões até 2027, segundo reportagens.
  • A bancada do agro refuta o cálculo e afirma que o impacto não ultrapassa R$ 5 bilhões por ano, conforme declarou ao Estadão.

A Câmara dos Deputados ainda não definiu data nem texto para votar o projeto de renegociação de dívidas rurais aprovado pelo Senado em 10 de junho, mantendo produtores do campo e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) em compasso de espera. O presidente da Câmara, Hugo Motta, reuniu-se com representantes do setor na semana passada, mas não adiantou cronograma.

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O projeto (PL 5122/2023) passou pelo Senado com apoio da FPA e, desde então, enfrenta resistência do governo federal, que estima um custo fiscal de R$ 120 bilhões até 2027. A bancada do agro refuta o cálculo e sustenta que o impacto real não ultrapassa R$ 5 bilhões por ano — equivalente a um subsídio de juros já previsto no Plano Safra. Nenhuma das estimativas foi respaldada por nota técnica oficial.

A indefinição ocorre em meio à pressão de produtores que enfrentam dificuldades financeiras, sobretudo no Rio Grande do Sul, afetado por eventos climáticos recentes. Com o texto final ainda em negociação entre a Câmara e as bancadas, agricultores seguem sem saber se serão elegíveis nem em que condições poderão renegociar débitos.

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Governo e agro em lados opostos dos números

Enquanto o governo federal projeta um rombo de R$ 120 bilhões, a FPA sustenta que o valor real não passa de R$ 5 bilhões anuais. A divergência expõe a ausência de um cálculo oficial consolidado e trava a tramitação. O próprio Motta afirmou que o texto precisa ser analisado com cuidado — sem adiantar quando entrará em pauta.

O conjunto de propostas aprovadas no Senado foi classificado como “pauta-bomba” — termo que a bancada do agro rejeita. Para a FPA, trata-se de socorro a produtores endividados, não de gasto adicional. A ausência de análise técnica oficial impede que deputados e a sociedade avaliem o impacto real antes da votação.

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Risco fiscal e precedente preocupam a Fazenda

O histórico de renegociações de dívida rural no Brasil abre precedente para outros setores, elevando o risco de novos pleitos. Levantamento anterior desta redação apontou que a proposta, se aprovada na forma atual, pode retirar R$ 22,4 bilhões da meta fiscal de 2027. O governo também já acionou o Supremo Tribunal Federal para conter pautas aprovadas no Senado que ameacem o orçamento.

O Ministério da Fazenda diz ver avanço nas negociações, mas exige que o foco seja em perdas climáticas comprovadas — não em dívidas generalizadas. A disputa entre a pasta e a bancada do agro acumula R$ 74,8 bilhões em divergências sobre crédito rural e subsídios, tornando o impasse atual mais um capítulo de um longo embate.

Caminhos possíveis para destravar a votação

Entre as saídas em negociação está a redução do escopo do projeto — limitando a renegociação a produtores com perdas comprovadas por eventos climáticos — e a exigência de análise de impacto fiscal detalhada como condição para o texto avançar. Motta pode convocar reuniões com líderes partidários para destravar a pauta, mas ainda não sinalizou prazo.

Enquanto o acordo não sai, produtores rurais de todo o país — especialmente no Rio Grande do Sul — aguardam sem saber se terão acesso à renegociação. O próximo passo concreto depende de entendimento entre governo e bancada do agro e da definição de Motta sobre quando o PL entra em votação na Câmara.


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