quarta-feira, junho 24
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Política

Wagner deixa liderança do governo no Senado após PF apontar vantagens do Banco Master

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Após reunião com Lula em Brasília, Wagner deixou o comando governista do Senado em 24/6, enquanto o caso Banco Master seguia em pauta.
  • A PF conduziu diligências em 23/6 na 9ª fase da Operação Compliance Zero e a saída foi anunciada com Lula, sem conclusão da apuração.
  • A chefia governista perdeu o ponto único de coordenação no Senado e a base ainda deve escolher novo líder no calendário de votação.
  • Registros mostraram pressão interna em 22/6 por revisão da estratégia, e em 19/6 Lula ainda mantinha Wagner no comando.
  • Na Bahia, Wagner mantém força política e passa a apostar mais na reeleição e em articulação política do que na mediação diária do plenário.

O senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou nesta quarta-feira (24) que deixa a liderança do governo no Senado, em decisão tomada em “comum acordo” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva após reunião de cerca de duas horas no Palácio da Alvorada. A saída ocorre seis dias após a Polícia Federal realizar buscas no gabinete e na residência do parlamentar na 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

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Wagner usou suas redes sociais para anunciar o afastamento minutos após deixar o Alvorada. “Decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do Governo no Senado Federal”, declarou, classificando o encontro com Lula como “conversa entre amigos”. O senador afirmou que sua “prioridade absoluta” agora é provar sua inocência e se dedicar à campanha de reeleição de Lula, do governador Jerônimo Rodrigues (BA) e à própria reeleição ao Senado na chapa com Rui Costa.

Investigação da PF

A Operação Compliance Zero aponta que Wagner teria recebido “vantagens indevidas” para atuar em favor do Banco Master, instituição controlada pelo banqueiro Augusto Lima. A 9ª fase da operação, executada em 18 de junho, incluiu diligências no gabinete do senador no Congresso e em sua residência. O esquema investigado envolve fraudes bilionárias e movimentações suspeitas no banco.

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Pressão interna e desgaste na campanha

A decisão de Wagner não foi improvisada. Nos últimos dias, aliados próximos do senador — especialmente do PT da Bahia — recomendaram que ele deixasse o posto para focar em sua defesa e preservar Lula do desgaste político. A crise atingiu o palanque baiano: Wagner é peça central da articulação eleitoral do partido no estado e encabeça a chapa ao Senado ao lado de Rui Costa, atual ministro da Casa Civil.

Aliado histórico de Lula, Wagner acumulou cargos de primeiro escalão ao longo de décadas no PT. Foi ministro da Casa Civil no segundo mandato de Lula e ministro da Defesa no governo Dilma Rousseff, além de governador da Bahia por dois mandatos. No Senado desde 2023, assumiu a liderança do governo como um dos nomes de maior confiança do presidente na Casa.

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Governabilidade no Senado

Com a saída de Wagner, o governo perde seu principal articulador no Senado num momento delicado da agenda legislativa. A liderança do governo na Casa é o ponto de coordenação diária entre o Executivo e a base aliada, responsável por garantir aprovação das matérias de interesse do Planalto. O substituto ainda não foi anunciado, e a escolha dependerá de negociação entre Lula e os partidos da base.

O governo deverá indicar nas próximas horas o nome que assumirá a liderança no Senado. A definição é urgente: a base governista precisa de um negociador em condições de articular votações enquanto a investigação da PF avança. Wagner, por sua vez, passa a atuar como senador sem cargo de liderança, dedicando-se à defesa jurídica e à campanha eleitoral na Bahia.


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