A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tornou público, nesta quarta-feira (24/06), um vídeo em que acusa o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, de tê-la desrespeitado e humilhado durante uma ligação telefônica. O desentendimento envolve a estratégia do Partido Liberal para o Ceará e expõe uma fissura no núcleo familiar bolsonarista a menos de um ano da eleição presidencial.
No vídeo divulgado nas redes sociais, Michelle relata que Flávio a tratou com rispidez ao telefone depois que ela se posicionou contra uma aproximação do PL com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) no primeiro turno no Ceará. “Ele disse que seria melhor se eu ficasse fora das decisões do partido, que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, afirmou Michelle, que classificou o episódio como “punhalada” e “humilhação”.
A ex-primeira-dama defende que a direita apoie a pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo do estado, em vez de uma aliança com Ciro Gomes. Segundo ela, Flávio frequentava sua casa semanalmente e, se quisesse conversar sobre as divergências, já teria tido oportunidade. “Vai à minha casa toda semana. Se quisesse falar comigo, já teria conversado”, disse.
Cronologia do atrito
O desentendimento relatado por Michelle não é isolado. Desde dezembro, quando Flávio anunciou que havia sido escolhido pelo pai, Jair Bolsonaro, como nome do bolsonarismo à Presidência, Michelle mantém-se afastada do projeto político dos enteados. A relação azedou justamente no contexto das disputas partidárias no Ceará.
Em evento público no estado no início de dezembro, Michelle já havia criticado a hipótese de aproximação com Ciro Gomes e reafirmado sua preferência por Eduardo Girão. Agora, com o vídeo, ela eleva o tom da cobrança e torna pública uma divergência que até então circulava nos bastidores do partido.
Impacto nas alianças do PL
A crise entre Michelle e Flávio coloca o PL diante de um dilema estratégico. De um lado, o partido precisa consolidar alianças estaduais para viabilizar a pré-campanha presidencial de Flávio. Do outro, a ex-primeira-dama acumula capital político próprio junto à base evangélica e à militância bolsonarista, segmentos que podem ser decisivos em 2026.
O atrito também reacende questões sobre a coerência da direção partidária. Em maio, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, já havia contradito publicamente Flávio sobre a relação com o empresário Daniel Vorcaro, aprofundando sinais de descompasso entre a cúpula do partido e o pré-candidato.
Até o momento, Flávio Bolsonaro não se pronunciou publicamente sobre as acusações de Michelle, e o Partido Liberal não emitiu nota oficial sobre o episódio. A ausência de resposta institucional mantém a tensão no ar e adia a definição sobre como o PL organizará seus acordos locais no Ceará e em outros estados-chave para a corrida presidencial.











