O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou nesta quarta-feira (24) um vídeo produzido com inteligência artificial em que aparece pilotando um jato da Força Aérea Brasileira (FAB) para “resgatar” o atacante Neymar e levá-lo ao estádio da Copa do Mundo. A peça é uma resposta direta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que dias antes havia brincado ao chamar o jogador de “primeiro convocado home office do mundo”.
A postagem foi divulgada horas antes da partida decisiva entre Brasil e Escócia, última da fase de grupos do Mundial. No vídeo, Flávio — pré-candidato à Presidência — se coloca como piloto e simula o translado de Neymar até o estádio. A produção começa reproduzindo a fala de Lula e, em seguida, mostra o camisa 10 da Seleção dizendo: “Eles disseram que não precisavam mais de mim”.
A provocação de Lula ocorreu na sexta-feira (19), durante um evento do governo em Belo Horizonte, em uma conversa com uma criança. O presidente ironizou o fato de Neymar ter sido convocado para a Copa sem entrar em campo por causa de uma lesão de grau dois na panturrilha. A declaração incomodou parlamentares da direita e reacendeu a polarização política em torno da Seleção Brasileira.
Neymar no banco e no centro da disputa
Neymar ainda não estreou na Copa de 2026. No primeiro jogo, contra o Marrocos, o atacante foi ao estádio e ficou no banco de reservas, mas sequer vestia o uniforme da equipe — um sinal de que não havia condições físicas para atuar. A lesão na panturrilha foi diagnosticada antes da convocação, e o jogador segue em processo de recuperação.
A ausência do atleta em campo abriu espaço para que o nome de Neymar fosse disputado como ativo comunicacional entre os dois polos políticos. De um lado, Lula usa o tom de brincadeira para questionar a conveniência da convocação. Do outro, Flávio Bolsonaro se posiciona como defensor do jogador e transforma o episódio em ferramenta de exposição pública.
Estratégia de comunicação e repercussão
O uso de inteligência artificial para criar conteúdo de ataque político não é novidade no arsenal de Flávio Bolsonaro. Em junho, o senador já havia recorrido a memes e vídeos para tentar conter uma crise de imagem ligada ao caso Vorcaro. A estratégia combina fala, resposta imediata e viralização em redes sociais — um formato de confronto que dispensa canais institucionais e opera no ritmo acelerado da internet.
Neste caso, o embate tem peso eleitoral adicional: Flávio é pré-candidato à Presidência e busca se consolidar como figura de oposição. Transformar Neymar em símbolo de resistência contra o governo amplia sua visibilidade junto a um público que acompanha a Seleção independentemente de filiação partidária.
Neymar não se manifestou publicamente sobre a brincadeira de Lula nem sobre o vídeo de Flávio. O foco do atleta, segundo pessoas próximas, permanece na recuperação física para tentar disputar as fases eliminatórias da Copa — caso o Brasil avance.











