Um estudo publicado na revista Nature em novembro de 2025 indica que caminhar 3 mil passos por dia — o equivalente a 30 minutos em ritmo moderado — pode ser suficiente para conter o avanço do Alzheimer. A pesquisa identificou que os benefícios são ainda maiores em indivíduos com altos níveis de beta-amiloide, uma proteína associada à doença.
A descoberta desafia a meta comum de 10 mil passos diários e sugere que uma atividade física acessível já pode oferecer neuroproteção significativa. Segundo os autores do estudo, a caminhada regular promove o aumento do fluxo sanguíneo cerebral, o estímulo de fatores neurotróficos e a redução de processos inflamatórios, além de preservar a plasticidade do cérebro.
Caminhada de 30 minutos ativa mecanismos de proteção cerebral
O estudo investigou a relação entre a quantidade de passos diários e o declínio cognitivo em adultos mais velhos, com foco naqueles que já apresentam acúmulo de beta-amiloide. Os resultados indicam que mesmo 3 mil passos são capazes de desacelerar a progressão da doença, sem necessidade de exercícios extenuantes.
“A atividade física regular, mesmo em intensidade moderada como a caminhada, representa uma das intervenções mais eficazes e acessíveis para proteger o cérebro do envelhecimento patológico. O que este estudo demonstra é que não são necessários exercícios extenuantes para obter benefícios neuroprotetores significativos”, afirmou Cláudia Alves, gerontóloga e autora do livro “O bom do Alzheimer”.
Gerontóloga recomenda início gradual para sedentários
Para quem não tem o hábito de caminhar, a especialista sugere começar com 1.500 passos diários e aumentar progressivamente até atingir os 3 mil. O uso de pedômetros ou aplicativos de smartphone pode ajudar no monitoramento e na motivação.
“Quando uma pessoa mantém a capacidade de caminhar regularmente, ela preserva sua autonomia, independência e bem-estar emocional por muito mais tempo”, disse Cláudia Alves.
A especialista também reforça que a prevenção do Alzheimer não se resume à atividade física. Sono de qualidade, alimentação saudável e vida social ativa são igualmente importantes. “Esses fatores, em conjunto com a atividade física, são determinantes para desacelerar a chegada dessas enfermidades”, completou.
Os resultados podem levar órgãos de saúde pública a reconsiderar as recomendações de atividade física para idosos, tornando-as mais realistas e fáceis de incorporar à rotina.
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