A cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping nesta quinta-feira (14) teve um elemento inusitado: uma delegação de bilionários da tecnologia transformou o encontro diplomático em uma missão de negócios. CEOs como Tim Cook (Apple), Elon Musk (Tesla) e Jensen Huang (Nvidia) participaram da cerimônia de boas-vindas no Grande Salão do Povo, em Pequim. A presença sinaliza a centralidade dos interesses corporativos nas negociações entre as duas maiores economias do mundo.
Além dos nomes mais conhecidos, estavam presentes representantes da Micron, Cisco e Meta — esta última enviou Dina Powell McCormick, presidente executiva que já foi assessora de Trump. A participação de tantos líderes de big techs não é casual. Juntas, essas empresas dependem do mercado chinês para fabricação, vendas e fornecimento de componentes, especialmente no setor de semicondutores, alvo de restrições comerciais nos últimos anos.
Ao deixar a cerimônia, Elon Musk afirmou a repórteres que gostaria de realizar “muitas coisas boas” na China. Jensen Huang, da Nvidia, disse que foi convidado pelo próprio Trump para ir ao encontro. “Esta é uma oportunidade incrível para mim, é claro, de representar os EUA e de vir apoiar o presidente Trump em uma das cúpulas mais importantes da história da humanidade”, declarou Huang. “Os dois presidentes têm uma relação maravilhosa. Esta é uma oportunidade incrível para confiarmos nesses relacionamentos para construir uma parceria muito, muito melhor.”
Tim Cook, que está prestes a deixar o cargo de CEO da Apple, fez um sinal positivo com as mãos ao ser questionado sobre como foram as reuniões, segundo a Reuters. A Apple fabrica a maioria de seus iPhones na China e depende do país para cerca de 20% de sua receita global. A Nvidia, por sua vez, tem bilhões de dólares em vendas de chips de IA para o mercado chinês, apesar das sanções americanas que limitam a exportação dos modelos mais avançados.
As promessas de Xi e o futuro do comércio de tecnologia
Xi Jinping aproveitou a presença dos executivos para reafirmar o compromisso de abertura econômica. Segundo a AFP, o presidente chinês prometeu que “a China abrirá cada vez mais suas portas para o mundo exterior” e que as empresas americanas terão “perspectivas ainda mais promissoras”. A declaração ocorre em um momento em que Washington e Pequim tentam aliviar as tarifas recíprocas impostas desde 2023 e negociar um novo marco regulatório para o comércio de semicondutores.
Para as big techs, o encontro representa uma chance de reduzir a incerteza que afeta cadeias globais de suprimento. A Tesla, por exemplo, opera uma megafábrica em Xangai que responde por metade de sua produção mundial. A Meta, que teve o Facebook e o Instagram bloqueados na China, busca alternativas para o mercado asiático. Já a Nvidia tenta equilibrar a demanda chinesa por chips de inteligência artificial com as restrições do governo Biden — agora herdadas por Trump.
A delegação de CEOs evidencia como interesses corporativos estratégicos passaram a ocupar papel central nas negociações entre as duas potências. O resultado da cúpula pode definir não apenas o futuro das relações bilaterais, mas também o acesso de bilhões de consumidores a produtos como iPhones, carros elétricos e servidores de IA. Por tabela, isso pode impactar os preços e a disponibilidade desses itens no Brasil, que importa tecnologia de ambos os lados.
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