sexta-feira, 17 de julho de 2026
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Economia

Trump ameaça elevar tarifas contra o Canadá por fumaça de incêndios florestais

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Mais de 200 incêndios florestais fora de controle no Canadá espalham fumaça por ao menos 12 estados americanos.
  • Chicago registrou o pior índice de qualidade do ar entre as grandes cidades do mundo devido à fumaça.
  • Trump chamou a situação de negligência intencional e evento anual que custa bilhões de dólares aos EUA.
  • O premier de Ontário pediu que republicanos parassem de criticar os incêndios florestais canadenses.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta sexta-feira (17) impor tarifas adicionais ao Canadá, responsabilizando o país pela fumaça de incêndios florestais que atinge cidades americanas. Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que os EUA estão sendo “invadidos por ar sujo, poluído e insalubre” e que o custo dessa poluição “deve” ser acrescentado às tarifas já aplicadas sobre produtos canadenses.

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A declaração eleva a tensão entre os dois parceiros do acordo comercial USMCA e ocorre enquanto o Canadá enfrenta uma crise ambiental de grandes proporções. O país registra mais de 200 incêndios florestais fora de controle, cuja fumaça se espalhou por ao menos 12 estados americanos, levando Chicago a registrar o pior índice de qualidade do ar entre as grandes cidades do mundo, segundo dados de monitoramento.

“Estamos responsabilizando o Canadá pelo fato de não estarem mantendo adequadamente suas florestas, e os Estados Unidos estão sendo desnecessariamente invadidos por ar sujo, poluído e insalubre, cuja qualidade é perigosa e totalmente inaceitável!”, escreveu Trump. Ele classificou a situação como “negligência intencional” e um “evento anual” que custa bilhões de dólares aos EUA, e acrescentou que pretende telefonar para o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, para discutir o assunto. A ameaça foi feita horas depois de o premier de Ontário, Doug Ford, dizer aos republicanos que parassem de “piar” sobre os incêndios, conforme reportagem da imprensa canadense.

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As relações comerciais entre EUA e Canadá são regidas pelo USMCA, acordo que substituiu o Nafta em 2020. A administração Trump já impôs tarifas sobre aço e alumínio canadenses no passado, gerando retaliações. A nova ameaça, se concretizada, pode desencadear uma disputa semelhante. Em junho, a China já havia elevado a tensão ao taxar o amido de ervilha canadense em 73,5%, como mostrou o PIRANOT.

Acusação sem laudos e incêndios fora de controle

O presidente americano não apresentou evidências de que o manejo florestal canadense seja o responsável direto pela propagação da fumaça. O governo dos EUA não divulgou laudos técnicos bilaterais que sustentem a acusação. Especialistas apontam que as mudanças climáticas e condições meteorológicas extremas são fatores determinantes para a intensidade dos incêndios neste ano.

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O PIRANOT mostrou mais cedo que o Canadá contabiliza 209 incêndios florestais fora de controle, com a fumaça tóxica alcançando cidades como Nova York, Detroit e Chicago. A qualidade do ar na metrópole de Illinois chegou a níveis “perigosos”, segundo o índice Air Quality Index (AQI), afetando a saúde de milhões de pessoas e ameaçando eventos esportivos de grande porte, como a final da Copa do Mundo de 2026, prevista para o próximo domingo em Nova York.

Viabilidade jurídica e próximos passos

Até o momento, a ameaça de Trump não foi formalizada em decreto ou ordem executiva. A imposição de tarifas com base em poluição atmosférica transfronteiriça não tem precedentes claros no USMCA e poderia enfrentar contestações legais. O acordo prevê mecanismos de solução de controvérsias que o Canadá poderia acionar caso as tarifas se concretizem.

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O governo canadense ainda não se manifestou oficialmente sobre a declaração. A ligação entre Trump e Carney, mencionada pelo presidente americano, não teve data confirmada. Enquanto isso, a fumaça continua a se deslocar para o sul, e a pressão política sobre Ottawa aumenta.

A ausência de uma resposta imediata de Carney e a falta de detalhamento sobre a base legal das tarifas mantêm o mercado em compasso de espera. A próxima etapa será o diálogo entre os dois líderes, que pode definir se a retórica se transformará em uma nova frente de guerra comercial.

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