quinta-feira, 16 de julho de 2026
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Economia

Funcionário da Casa Branca é suspenso sob suspeita de lucrar com falas de Trump

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Gabriel Perez operava o teleprompter de Trump desde o primeiro mandato e usou informações privilegiadas para lucrar nas apostas
  • A plataforma Kalshi detectou o padrão atípico de acertos e alertou a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA
  • Perez fez apostas em pelo menos 12 discursos ao longo de três meses, sempre acertando os termos que Trump mencionaria
  • O funcionário foi afastado em licença não remunerada enquanto a investigação federal apura possível uso de informação privilegiada
  • O caso expõe a fragilidade regulatória dos mercados de previsão, que movimentam bilhões de dólares sem regras claras contra insider trading

Um operador de teleprompter da Casa Branca foi suspenso sob suspeita de usar acesso antecipado a discursos de Donald Trump para lucrar em contratos de um mercado de previsões. O funcionário teria obtido ganhos superiores a US$ 100 mil ao apostar em palavras e temas que o presidente americano mencionaria em pronunciamentos oficiais.

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O caso entrou no radar da CFTC, a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos Estados Unidos, órgão que regula esse tipo de plataforma. A investigação mira operações feitas na Kalshi, empresa que permite negociar contratos vinculados a eventos futuros, inclusive temas políticos e econômicos.

A suspeita é simples e sensível para o governo americano: alguém com acesso prévio ao texto presidencial poderia saber, antes do público, se Trump citaria determinado assunto em um discurso. Em uma plataforma de previsões, essa informação pode virar aposta financeira — e lucro — quando o contrato depende justamente da ocorrência daquele evento.

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Por que o caso pressiona os mercados de previsão

A Kalshi opera em um setor que cresceu ao transformar acontecimentos públicos em contratos negociáveis. Na prática, usuários compram posições sobre a chance de um fato ocorrer: uma decisão de governo, uma votação, um indicador econômico ou uma fala pública. Quando o evento se confirma, o contrato paga ao apostador que escolheu o resultado correto.

Essa lógica aproxima os mercados de previsão de bolsas reguladas, mas abre uma zona cinzenta quando o evento depende de informação restrita. No mercado financeiro tradicional, usar dado relevante ainda não público para negociar ações ou títulos pode configurar insider trading. A dúvida agora é como aplicar esse princípio a contratos baseados em discursos presidenciais.

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O episódio também expõe um problema operacional para a Casa Branca. Discursos presidenciais circulam antes da leitura entre assessores, técnicos, equipes de comunicação e funcionários responsáveis por equipamentos. Se uma fala oficial vira ativo negociável, o controle sobre esse acesso passa a ter valor financeiro imediato.

CFTC investiga e pode definir novo padrão

A CFTC avalia se as operações violaram regras aplicáveis a mercados regulados e se a conduta pode ser tratada como uso de informação privilegiada. Também está em discussão a possibilidade de um acordo, caminho comum em processos administrativos nos Estados Unidos quando há cooperação ou admissão de responsabilidade.

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Para além da punição individual, a decisão do regulador tende a servir de referência para plataformas que negociam eventos políticos. Se a CFTC enquadrar o caso como insider trading, operadores de mercados de previsão terão de reforçar controles sobre usuários com acesso a informações não públicas — especialmente em contratos ligados a governos, campanhas e autoridades.

O próximo passo está nas mãos da CFTC: concluir se o lucro atribuído ao operador decorreu de informação interna e definir se haverá acordo ou sanção. A resposta deve indicar até onde vai a fronteira entre aposta política e negociação com vantagem indevida nos Estados Unidos.

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