O mundo consumiu mais energia do que nunca em 2025, mas o avanço acelerado das fontes solar e eólica conteve a expansão dos combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE). A demanda global cresceu 1,3% — o maior nível já registrado —, puxada por economias emergentes e pela eletrificação de setores como transporte e data centers.
As renováveis e a energia nuclear atenderam cerca de 60% do aumento da demanda, mostra o Global Energy Review 2026, revisão anual da AIE. O destaque foi a geração solar fotovoltaica, responsável por 27% do crescimento total, à frente do gás natural (17%). Apesar disso, o carvão, o petróleo e o gás ainda suprem 80% da matriz energética planetária, um indicativo de que a transição limpa, embora em ritmo recorde, não reduz a dependência fóssil na escala necessária.
Eletricidade cresce o dobro da média e pressiona redes
O setor elétrico expandiu 3% em 2025, mais que o dobro da taxa geral, com mercados emergentes respondendo por 80% desse aumento. A China sozinha concentrou 58% da demanda adicional por eletricidade. A AIE atribui o movimento a fatores como o maior uso de ar-condicionado, veículos elétricos e à demanda crescente de centros de processamento de dados para inteligência artificial, concentrada nos Estados Unidos e no próprio mercado chinês.
Pela primeira vez, a soma de todas as fontes renováveis gerou mais eletricidade do que o carvão, embora este último continue sendo o maior combustível isolado para geração. O avanço foi suficiente para manter praticamente estável o consumo de carvão e frear o ritmo de crescimento do petróleo.
Brasil destoa com matriz quatro vezes mais limpa
Enquanto a média mundial de participação de renováveis na matriz energética fica em torno de 15%, o Brasil ostenta cerca de 47% de fontes limpas, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Dados oficiais mostram que o país tem uma das matrizes mais sustentáveis do planeta, com forte presença hidrelétrica, eólica e de biomassa, além do rápido crescimento solar.
Esse perfil reduz a vulnerabilidade a choques de preços de combustíveis fósseis e coloca o Brasil em posição estratégica para atrair investimentos em setores como hidrogênio verde e data centers verdes. A EPE projeta que a capacidade solar instalada mais que dobrará até 2029, consolidando o país como player relevante na transição energética global.
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