O Bradesco encerrou o primeiro trimestre de 2025 com lucro líquido recorrente de R$ 6,8 bilhões, superando as projeções de analistas em meio à piora do cenário macroeconômico e à escalada da inadimplência. O resultado, divulgado em balanço nesta quarta-feira, representa alta de 16,1% em relação ao mesmo período do ano passado.
O desempenho reflete uma estratégia de gestão de riscos que, segundo o banco, permitiu preservar a qualidade dos ativos mesmo diante de choques externos. O presidente-executivo, Marcelo Noronha, destacou o ambiente adverso: “O cenário macro piorou, vimos guerra, e ainda assim gerimos bem os riscos, preservamos a qualidade dos nossos ativos, reforçamos o nosso balanço, aproveitamos as oportunidades que apareceram e aumentamos a nossa rentabilidade”.
A margem financeira líquida cresceu 8,3% na comparação anual, para quase R$ 10,4 bilhões, e o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) médio atingiu 15,8%, acima dos 14,4% de um ano antes. Analistas compilados pela LSEG esperavam lucro de R$ 6,7 bilhões e ROE de 15,6%.
Carteira de crédito avança, mas inadimplência preocupa
A carteira de crédito do Bradesco encerrou março em R$ 1,1 trilhão, alta de 8,4% em doze meses, com destaque para a expansão de 14,4% no segmento de micro, pequenas e médias empresas, conforme dados do balanço. O movimento reflete a aposta na retomada da demanda por capital de giro e investimento, mesmo em meio à escalada dos juros.
Na outra ponta, a inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,2%, influenciada principalmente por operações de capital de giro com garantias. Noronha reconheceu o cenário adverso, mas reiterou o foco na gestão: “Mesmo em cenário macro desafiador, gerimos bem os riscos e evoluímos. Seguiremos em frente, ‘step by step'”.
Para mitigar o quadro, o governo federal lançou o Novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas voltado a famílias e pequenos negócios. A iniciativa pode aliviar a pressão sobre os balanços dos bancos nos próximos trimestres, mas analistas alertam que o efeito só será mensurável a partir do segundo semestre.
Bradsaúde e novos negócios como aposta de valor
O Bradesco aposta na diversificação de negócios como vetor de crescimento de longo prazo, com a recém-lançada Bradsaúde ocupando posição central nessa estratégia. “A Bradsaúde nasceu, é realidade, um passo histórico para a organização. Seu potencial em saúde é grande, e há também benefícios para o grupo”, afirmou Noronha.
A operadora de saúde própria sinaliza a ambição do grupo em explorar sinergias entre serviços financeiros e saúde, segmento que pode destravar valor à medida que a integração com a base de clientes avance. A abordagem, descrita pelo executivo como “step by step”, indica crescimento orgânico e gradual em setores complementares, sem desviar o foco da gestão de riscos que marcou o trimestre.
Segundo o balanço, o lucro líquido recorrente alcançou R$ 6,8 bilhões, com retorno sobre o patrimônio líquido de 15,8%. A expansão da carteira de crédito, especialmente em pessoas físicas (alta de 9,5% no portfólio), reforça a capacidade de alavancar novos negócios enquanto se preserva a qualidade dos ativos.
❓ Perguntas frequentes
Qual foi o lucro do Bradesco no primeiro trimestre de 2025?
O Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 6,8 bilhões, alta de 16,1% em relação ao mesmo período de 2024, conforme balanço divulgado pelo banco.
Como a inadimplência impactou o resultado do Bradesco?
A inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,2%, influenciada por operações de capital de giro com garantias, mas o banco destacou a gestão de riscos como fator para preservar a qualidade dos ativos.
O que é a Bradsaúde e qual sua importância para o Bradesco?
A Bradsaúde é a operadora de saúde própria do Bradesco, lançada como aposta estratégica para explorar sinergias entre serviços financeiros e saúde, com potencial de destravar valor de forma gradual, segundo o presidente-executivo Marcelo Noronha.
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