A BB Seguridade registrou lucro líquido de R$ 2,4 bilhões no primeiro trimestre de 2024, um crescimento de 11% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado superou as expectativas do mercado financeiro, que projetava lucro de R$ 2,2 bilhões, conforme dados da LSEG.
Desempenho reflete resiliência do setor
O desempenho reflete a resiliência do setor de seguros, previdência e capitalização, mesmo em um cenário econômico desafiador. A companhia, braço de seguros do Banco do Brasil, tem se beneficiado da diversificação de produtos e da forte penetração no segmento rural, que responde por uma fatia significativa de seus prêmios emitidos.
Segundo informações divulgadas pela própria BB Seguridade, a receita operacional líquida avançou 8,7% na comparação anual, impulsionada principalmente pelo crescimento dos prêmios de seguros, que subiram 12,3%. O segmento de previdência também contribuiu, com aumento de 6,5% nas contribuições.
O índice de sinistralidade, que mede a proporção entre indenizações pagas e prêmios ganhos, ficou estável em 32,4%, indicando uma gestão equilibrada dos riscos. Já o índice de despesas operacionais recuou 1,2 ponto percentual, para 18,7%, refletindo ganhos de eficiência.
Resultado reforça posição como geradora de dividendos
O resultado robusto reforça a posição da BB Seguridade como uma das principais geradoras de dividendos da bolsa brasileira. A empresa mantém uma política de distribuição de proventos atrativa, com payout elevado, o que a torna queridinha entre investidores focados em renda.
Analistas do mercado destacaram a surpresa positiva. “A BB Seguridade entregou mais um trimestre de forte crescimento, superando as estimativas em todas as linhas de negócio”, afirmou um relatório do Itaú BBA. A corretora manteve recomendação outperform para as ações BBSE3.
O bom momento também se reflete nos números operacionais. As vendas de seguros rurais, carro-chefe da companhia, cresceram 15% no trimestre, beneficiadas pela safra recorde de grãos e pela maior demanda por proteção contra riscos climáticos. A BB Seguridade detém cerca de 60% de participação nesse mercado.
No segmento de capitalização, a receita com títulos de capitalização subiu 9,2%, enquanto as reservas de previdência alcançaram R$ 98 bilhões, um aumento de 11,5% em 12 meses. A companhia também reportou um índice de cobertura de provisões técnicas de 1,7 vez, demonstrando solidez financeira.
A BB Seguridade encerrou o trimestre com um patrimônio líquido de R$ 12,8 bilhões e uma rentabilidade sobre o patrimônio (ROE) anualizada de 75,3%, um dos indicadores mais elevados do setor. A alavancagem operacional continua baixa, com dívida líquida praticamente zero.
O mercado reagiu positivamente aos números. As ações BBSE3 fecharam em alta de 2,3% no dia do anúncio, cotadas a R$ 33,45, acumulando valorização de 8,7% no ano. O papel é um dos mais recomendados por analistas para carteiras de dividendos, com um dividend yield projetado de 9,5% para 2024.
Apesar do otimismo, há desafios no horizonte. A maior sinistralidade no segmento de vida e a possibilidade de mudanças regulatórias no setor de seguros são pontos de atenção. No entanto, a diversificação de negócios e a forte base de clientes do Banco do Brasil seguem como vantagens competitivas.
A BB Seguridade não comentou oficialmente as projeções, mas em comunicado ao mercado destacou que “os resultados refletem a consistência da estratégia comercial e a disciplina na gestão de riscos”. A empresa mantém guidance de crescimento de lucro entre 8% e 13% para o ano.
Com o resultado, a BB Seguridade reafirma sua trajetória de crescimento sustentável, ancorada em um modelo de negócios diversificado e na força da marca Banco do Brasil. O mercado agora aguarda os próximos trimestres, atento à evolução da sinistralidade e ao cenário macroeconômico, que pode influenciar a demanda por seguros e previdência.











