quinta-feira, junho 4
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Polícia

Relatório de comissão conclui que Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura em 1976

Documento da Comissão de Mortos e Desaparecidos aponta que acidente na Via Dutra foi forjado para encobrir crime político

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Relatório de 5 mil páginas da CEMDP conclui que JK foi assassinado pela ditadura em 1976
  • Documento aponta que colisão na Via Dutra foi forjada e veículo sofreu interferência externa
  • Conclusão contradiz versão oficial e parecer anterior da Comissão Nacional da Verdade

Um novo relatório com mais de 5 mil páginas, elaborado pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), conclui que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar em 22 de agosto de 1976. A versão oficial, mantida por quase cinco décadas, atribuía a morte a um acidente automobilístico na Via Dutra, em Resende (RJ).

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O documento, assinado pela historiadora e relatora Maria Cecília Adão, será submetido a votação na comissão e rechaça a tese de colisão acidental com uma carreta. Segundo a relatora, “esses grupos apresentaram indícios de que não houve colisão com o ônibus e que o veículo teria perdido o controle devido a interferência externa”, apontando para uma ação deliberada para forjar o acidente.

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A morte de JK, um dos presidentes mais emblemáticos do Brasil, sempre foi cercada de controvérsias. O acidente ocorreu no km 165 da Rodovia Presidente Dutra, quando o Opala em que viajava chocou-se contra uma carreta. O motorista e amigo Geraldo Ribeiro também morreu. Na época, o regime militar tratou o caso como fatalidade, e a versão foi corroborada pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) em seu relatório final, que não encontrou evidências de crime político.

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O novo relatório da CEMDP, no entanto, contradiz frontalmente essa conclusão. Com base em documentos, perícias e depoimentos, a historiadora Maria Cecília Adão sustenta que a batida foi forjada para encobrir um assassinato. O trabalho reúne anexos e provas que, segundo a comissão, demonstram a interferência externa no veículo.

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O caso ganha novo impulso às vésperas dos 50 anos da morte de JK. A CEMDP, vinculada ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, tem a prerrogativa de reconhecer pessoas mortas por motivação política, o que pode levar à retificação do atestado de óbito e a reparações históricas.

Repercussão política e histórica do novo relatório

A conclusão do relatório reabre um dos capítulos mais sensíveis da história brasileira. Juscelino Kubitschek, cassado e exilado após o golpe de 1964, era visto como uma ameaça ao regime por sua liderança e capacidade de articulação política. A tese de assassinato sempre foi defendida por familiares e por setores da esquerda, mas carecia de chancela oficial.

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Agora, com o aval de uma comissão estatal, o caso pode ter desdobramentos jurídicos e simbólicos. A votação do relatório na CEMDP é o próximo passo, e sua aprovação significaria o reconhecimento formal de que JK foi vítima da ditadura. Isso pressionaria o Estado a investigar os responsáveis, embora a maioria já tenha morrido.

O impacto político também é considerável. A reavaliação da morte de JK ocorre em um momento de revisionismo histórico e de disputa de narrativas sobre o regime militar. Para a historiadora Maria Cecília Adão, o relatório “não deixa dúvidas de que houve uma ação coordenada para eliminar o ex-presidente”, conforme registrado em entrevista à imprensa.

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A família de JK, por meio do Instituto Juscelino Kubitschek, comemorou a conclusão, mas cobrou celeridade na votação. O advogado da família, José Carlos Dias, afirmou que “a verdade histórica precisa ser restabelecida”. O caso também reacende o debate sobre a Comissão Nacional da Verdade, criticada por não ter aprofundado a investigação sobre a morte de JK.

Enquanto a comissão se prepara para votar, o Brasil se vê diante da possibilidade de reescrever um de seus episódios mais trágicos, meio século depois.


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