Uma nova organização não governamental fundada pela ex-diretora do WhatsApp no Brasil promete preencher uma lacuna jurídica que atinge milhões de brasileiros: a falta de canais acessíveis para contestar decisões unilaterais de plataformas como Instagram, Facebook e Google. A CTRL+Z, idealizada por Daniela da Silva, aceita relatos de usuários que tiveram contas suspensas, hackeadas ou sofreram vazamento de dados, oferecendo orientação jurídica gratuita.
A iniciativa surge em um momento de crescente dependência econômica das redes sociais. Pequenos empreendedores, profissionais liberais e criadores de conteúdo dependem desses canais para gerar renda, e um bloqueio repentino pode significar a interrupção imediata de vendas ou contratos.
Segundo Daniela, a perda de uma conta vai muito além do inconveniente. “Além dos prejuízos financeiros, pois muita atividade econômica hoje está diretamente ligada a essa presença online”, afirmou a ex-executiva. A ONG ainda está em fase de testes, mas já recebeu ofertas de parceria de escritórios de advocacia interessados em atuar voluntariamente.
Como funciona a CTRL+Z e quem pode denunciar
A CTRL+Z aceita denúncias de qualquer pessoa que se sinta lesada por decisões de plataformas digitais. O serviço é gratuito e conecta os usuários a advogados parceiros. “E já surgiram ofertas. Começamos a receber várias mensagens de escritórios de advocacia interessados em fechar parceria”, disse Daniela.
Além do suporte a vítimas externas, a ONG abre um canal para que funcionários das big techs façam denúncias anônimas sobre práticas internas questionáveis. A identidade dos delatores é preservada: “nem a gente tem como saber quem é”, explicou a fundadora. Ela observou que muitos empregados discordam das políticas das companhias.
“Muitos funcionários dessas empresas pensam diferente do que a companhia defende e estão preocupados, mesmo trabalhando lá dentro”, afirmou. A proposta é construir uma cultura em que as big techs sejam cobradas por decisões unilaterais que afetam a vida econômica dos usuários.
Motivação para a criação da ONG
Daniela da Silva deixou o cargo de chefe de políticas públicas do WhatsApp Brasil após Mark Zuckerberg anunciar o fim da checagem de fatos na Meta. Em declaração, ela classificou a mudança como uma “virada retórica” incompatível com os valores que defendia.
“A velocidade e a intensidade dessa virada retórica da Meta, e a adesão a uma base ideológica tão distinta dos valores que orientavam meu trabalho até então, isso simplesmente não é algo que eu possa compreender, muito menos apoiar”, afirmou. A decisão foi tomada sem um plano de carreira definido.
“Foi inesperada e eu não tinha exatamente um plano do que fazer depois, eu não estava saindo de uma empresa indo para outra”, disse. A ex-diretora ressaltou ainda que muitos colegas de tecnologia compartilham da mesma inquietação.
Impacto prático para quem perde o acesso a contas digitais
A perda de uma conta em plataformas digitais pode representar um colapso financeiro para quem depende do ambiente online. Segundo Daniela, a iniciativa busca mitigar prejuízos que vão além da esfera digital, atingindo diretamente a atividade econômica de milhares de brasileiros.
A CTRL+Z surge como um caminho estruturado para quem se sente lesado e não tem a quem recorrer. A ONG atua como intermediária entre os usuários e escritórios de advocacia parceiros, sem custo para as vítimas. A expectativa é que o serviço seja ampliado conforme novas parcerias forem firmadas.











