A SpaceX passou a negociar abaixo do preço de estreia na Bolsa e acumula perda de quase US$ 1 trilhão em valor de mercado desde o pico alcançado em junho. A queda marca uma virada brusca para a empresa de Elon Musk, que estreou com ações a US$ 135 e chegou a ser tratada como uma das companhias mais valiosas do mundo.
No auge da euforia pós-IPO, a avaliação da SpaceX ficou perto de US$ 2,9 trilhões. A correção derrubou esse patamar e também tirou Musk do clube dos trilionários: sua fortuna recuou para cerca de US$ 957 bilhões, depois de ter superado US$ 1 trilhão com a valorização inicial da companhia.
A pressão sobre os papéis combina frustração operacional e fatores técnicos. O aborto de um teste da Starship reacendeu dúvidas sobre o cronograma do programa espacial mais ambicioso da empresa, enquanto a aproximação do fim do lock-up aumenta a cautela de investidores com a possibilidade de venda de ações por executivos e acionistas antigos.
Da euforia do IPO à correção bilionária
A SpaceX abriu capital em 12 de junho, em uma oferta de US$ 75 bilhões, com preço de US$ 135 por ação. A estreia foi recebida como um marco para o mercado de tecnologia e para a própria trajetória de Musk, que viu a fortuna pessoal ultrapassar a barreira simbólica de US$ 1 trilhão na esteira da demanda pelos papéis.
Esse entusiasmo, porém, perdeu força rapidamente. A ação cair abaixo do preço do IPO tem peso simbólico porque sinaliza que investidores que entraram na oferta já não veem o mesmo prêmio de crescimento embutido no papel. Em empresas recém-listadas, esse movimento costuma acionar uma leitura mais dura sobre execução, governança e necessidade de capital.
No caso da SpaceX, a reavaliação ocorre em um momento sensível. A companhia testou o mercado de dívida após a abertura de capital, com uma oferta de até US$ 20 bilhões, e segue dependente de projetos de alto custo, como a Starship, para sustentar parte relevante das expectativas de crescimento embutidas em seu valor de mercado.
Lock-up e Starship viram foco dos investidores
O fim do lock-up é um dos pontos centrais no radar. Esse período impede que acionistas antigos vendam seus papéis logo após o IPO. Quando a trava expira, o mercado passa a recalcular o risco de aumento de oferta de ações, sobretudo se insiders decidirem realizar ganhos depois de uma listagem muito valorizada.
A Starship acrescenta outra camada de tensão. O foguete é peça-chave nos planos de expansão da SpaceX, tanto em contratos espaciais quanto na narrativa de longo prazo vendida ao mercado. Um teste abortado não muda sozinho o valor de uma empresa desse porte, mas pesa quando ocorre em meio a uma correção forte e a uma janela de venda potencial por acionistas antigos.
A queda também atinge investidores profissionais que aumentaram exposição ao nome antes e depois da abertura de capital. A ARK Invest havia mirado US$ 500 milhões em ações da SpaceX fora da Bolsa, em mais um sinal de que o papel se tornou uma aposta relevante entre gestores ligados a tecnologia de alto crescimento.
Musk perde o marco de US$ 1 trilhão
Para Elon Musk, o impacto é direto. A fortuna do empresário, altamente concentrada em participações acionárias, acompanhou a oscilação da SpaceX e voltou para a casa de US$ 957 bilhões. A marca de trilionário, alcançada com o IPO, durou pouco e reforça como a riqueza do fundador depende da precificação de ativos de tecnologia em Bolsa.
A correção também serve como teste para o mercado de IPOs de tecnologia. A SpaceX chegou à Bolsa em uma oferta recorde e com uma avaliação rara até mesmo para gigantes globais. Ao cair abaixo do preço de estreia em poucas semanas, a empresa reabre a discussão sobre até onde investidores estão dispostos a pagar por crescimento futuro em um ambiente de juros ainda elevados.
O próximo termômetro será a capacidade da SpaceX de reduzir a pressão antes do fim do lock-up. Avanços no programa Starship, novos contratos ou sinalizações de demanda consistente pelos papéis podem aliviar a venda; sem isso, a ação tende a seguir vulnerável à realização de lucros e à oferta adicional de ações no mercado.











