sexta-feira, 17 de julho de 2026
Publicidade
Júnior Cardoso
Editorial

Júnior Cardoso

Diretor, editor chefe e jornalista do PIRANOT. Começou a trabalhar em 2007, aos 14 anos, quando lançou seu primeiro blog...

Enquanto Messias avança para o STF pelos próximos 29 anos, Piracicaba continua sem representante em Brasília

· 4 min de leitura · Atualizado em 08.05.2026

A aprovação do nome de Jorge Messias pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, nesta quarta-feira, reacende uma discussão que vai muito além da composição do Supremo Tribunal Federal. Aos 46 anos, caso seja confirmado pelo plenário do Senado, Messias poderá permanecer no STF por quase três décadas. É uma decisão de enorme impacto para o país — e que passa, obrigatoriamente, pelo Senado.

Publicidade

O episódio também provoca uma reflexão local: onde está Piracicaba nas grandes decisões nacionais?

A pergunta não é retórica. Piracicaba se tornou sede de uma Região Metropolitana formada por 24 municípios. A cidade deixou de ser apenas um polo regional tradicional e passou a ocupar, oficialmente, uma posição estratégica no Estado de São Paulo. Educação, saúde, infraestrutura, mobilidade, habitação, segurança, saneamento, desenvolvimento econômico e atração de investimentos são temas que não dizem respeito apenas ao município, mas a uma região inteira que depende da força política de sua cidade-polo.

Publicidade

Apesar disso, Piracicaba atravessa um longo período sem representação própria e efetiva em Brasília. O último grande nome da cidade com presença federal foi Mendes Thame, que marcou época como deputado federal e levou pautas de Piracicaba e da região para o Congresso Nacional. Desde então, a cidade perdeu espaço, influência e capacidade de articulação direta nas decisões que definem recursos, prioridades e políticas públicas.

Nos últimos anos, parte da população passou a atribuir a perda de investimentos apenas aos prefeitos que governaram a cidade. É evidente que administrações municipais têm responsabilidade sobre planejamento, gestão e execução. Mas reduzir o problema apenas ao Paço Municipal é uma análise incompleta. Cidades fortes também precisam de pontes em Brasília. Precisam de deputados, senadores, articulação partidária, presença institucional e capacidade de disputar orçamento, programas e projetos nacionais.

Publicidade

É nesse contexto que a eleição de 2026 começa a ganhar importância para Piracicaba. O desenho inicial aponta para nomes competitivos no campo da direita e da centro-direita, enquanto a esquerda, ao menos até aqui, não parece apresentar uma candidatura local com a mesma densidade. O risco, porém, é que a divisão de votos entre candidaturas próximas no espectro político acabe reduzindo novamente a possibilidade de Piracicaba eleger um representante para a Câmara dos Deputados.

Este não é um debate contra nomes. Também não é uma defesa antecipada de candidatura A ou B. É uma reflexão sobre estratégia coletiva.

Publicidade

Piracicaba precisa discutir se deseja continuar sendo apenas fornecedora de votos para projetos de fora ou se pretende reconstruir uma representação política própria, capaz de defender os interesses da cidade e da Região Metropolitana. Para isso, talvez seja necessário um pacto mínimo entre lideranças, partidos, setor produtivo, entidades, universidades, imprensa e sociedade civil.

A cidade já demonstrou, em outros momentos da história, capacidade de formar lideranças com projeção estadual e nacional. O que parece faltar agora é convergência. E sem convergência, a força eleitoral se dispersa. A consequência é conhecida: Piracicaba vota, outros se elegem, e a cidade segue dependendo da boa vontade de representantes que têm outras bases, outras prioridades e outros compromissos políticos.

Publicidade

A votação de uma indicação ao Supremo mostra como Brasília decide questões que atravessam décadas. Um ministro do STF pode influenciar o país por 20, 25 ou quase 30 anos. Deputados e senadores votam reformas, orçamento, emendas, leis, nomeações, regras econômicas e decisões que afetam diretamente a vida dos municípios.

Por isso, a pergunta precisa ser feita agora, antes que a eleição esteja completamente definida: Piracicaba vai entrar em 2026 com um projeto político regional ou vai repetir a fragmentação que a deixou sem voz própria em Brasília?

Mais do que escolher um nome, a cidade precisa escolher uma ambição. E a ambição mínima de uma metrópole regional deveria ser clara: voltar a ter presença, força e respeito nas grandes mesas de decisão do país.

Júnior Cardoso, diretor-fundador e editor-chefe do PIRANOT.

Publicidade
Júnior Cardoso
Sobre o colunista

Júnior Cardoso

Diretor, editor chefe e jornalista do PIRANOT. Começou a trabalhar em 2007, aos 14 anos, quando lançou seu primeiro blog na internet. Em 2011, criou o PIRANOT e fez parte, por três anos, de um programa da extinta TV Beira Rio. Estudou jornalismo na UNIMEP e assessoria de imprensa no SENAC. Fez estágio na Câmara de Vereadores e teve passagens por duas rádios de Piracicaba.

Ver todas as colunas →
Publicidade