A Microsoft iniciou nesta sexta-feira (17) uma reestruturação profunda na divisão Xbox, com demissões que podem chegar a 4.800 funcionários e a venda de cinco estúdios de jogos. O movimento coloca em xeque a aposta de US$ 80 bilhões da empresa no mercado de games e sinaliza uma guinada estratégica para software e serviços multiplataforma.
Em comunicado interno, a CEO do Xbox, Asha Sharma, informou que 1.600 cortes serão efetivados imediatamente, enquanto o restante ocorrerá ao longo dos próximos 12 meses. O número total de desligamentos ainda não foi confirmado oficialmente, mas fontes da imprensa internacional apontam entre 3.200 e 4.800 vagas, o equivalente a até 20% da força de trabalho da divisão.
Além das demissões, a Microsoft decidiu se desfazer de cinco estúdios, cujos nomes não foram divulgados. A medida faz parte de um plano para tornar o negócio de jogos mais lucrativo, após anos de investimentos bilionários em aquisições e infraestrutura.
De console a plataforma: a nova rota do Xbox
A guinada atual é o capítulo mais recente de uma estratégia que começou a mudar há alguns anos. Em setembro de 2020, a Microsoft anunciou a compra da ZeniMax Media, controladora da Bethesda, por US$ 7,5 bilhões. Em janeiro de 2022, veio a oferta pela Activision Blizzard, concluída em outubro de 2023 por US$ 68,7 bilhões. Somadas, as duas aquisições ultrapassam US$ 76 bilhões, e com investimentos adicionais em nuvem e infraestrutura, o valor total se aproxima de US$ 80 bilhões.
Apesar do aporte massivo, a Microsoft vem progressivamente abandonando a exclusividade de hardware. Títulos antes restritos ao ecossistema Xbox, como Sea of Thieves e Hi-Fi Rush, foram lançados para PlayStation e Nintendo Switch. Em junho, o Xbox Games Showcase reforçou a aposta em serviços, com foco no Game Pass e na nuvem, em vez de novos consoles.
Para Seamus Blackley, um dos criadores do Xbox original, a descontinuação do hardware é questão de tempo. “O Xbox será descontinuado nos próximos anos”, disse em entrevista ao IGN Brasil. A Microsoft, no entanto, não confirma oficialmente o fim da fabricação de consoles.
O que ainda está em aberto
A empresa não detalhou quais estúdios serão vendidos nem o cronograma de transição dos jogos exclusivos restantes para outras plataformas. Também não há confirmação sobre o volume final de demissões — o número pode variar conforme a reorganização avança.
A reestruturação impacta diretamente o mercado brasileiro, um dos maiores consumidores do Xbox Game Pass na América Latina. Enquanto a Microsoft ajusta seu modelo de negócios, jogadores e desenvolvedores aguardam definições sobre o futuro do console e do catálogo de jogos. A dimensão da mudança foi analisada em reportagem da Exame.











