Os preços internacionais do petróleo dispararam nesta semana com a retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz, elevando a tensão nos mercados e reacendendo o temor de pressão inflacionária no Brasil. O barril do tipo Brent superou os US$ 80, patamar que não era registrado desde o início de junho.
A escalada militar interrompeu a trégua firmada em junho e reduziu o tráfego de petroleiros na região ao menor nível em dois meses, segundo dados de monitoramento marítimo. O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que os estoques globais da commodity já vinham sendo utilizados para amortecer os choques de oferta, o que diminui a margem para absorver novos cortes no fornecimento.
O cenário de curto prazo contrasta com as projeções de longo prazo do governo brasileiro. Estudo do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publicado no Caderno de Preços Internacionais de Petróleo e Derivados do PDE 2035 estima que o Brent deve oscilar entre US$ 70 e US$ 80 por barril no horizonte 2026–2035, em um cenário de transição energética gradual. A crise atual, no entanto, mostra que eventos geopolíticos podem levar os preços para fora dessa faixa por períodos prolongados.
Por que o bolso do brasileiro sente
O Brasil é autossuficiente em petróleo bruto, mas depende da importação de derivados — especialmente o diesel — para abastecer a frota de caminhões, ônibus e máquinas agrícolas. Qualquer alta sustentada do barril no mercado internacional encarece o frete, os alimentos e os insumos industriais, com reflexo direto no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
A pressão sobre os custos é ampliada pelo tarifaço comercial imposto pelo governo Donald Trump. Em junho, o PIRANOT mostrou que as novas tarifas americanas colocaram o Pix no centro da disputa entre o presidente Lula e o ministro da Fazenda, Flávio Dino, e elevaram o custo de importação de insumos e equipamentos. A combinação de petróleo caro e barreiras comerciais mais altas cria um ambiente de custos duplamente pressionado para a economia brasileira.
Em maio, quando o Estreito de Ormuz já estava sob tensão, o PIRANOT noticiou que o barril chegou a US$ 97. A nova rodada de hostilidades indica que o prêmio de risco geopolítico pode se manter elevado por mais tempo do que o inicialmente previsto.
O que vem pela frente
O governo brasileiro acompanha a situação por meio do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico e de Combustíveis. Até o momento, a Petrobras não anunciou reajustes nos preços da gasolina e do diesel. A estatal adota uma política de preços que considera a cotação internacional, mas não repassa automaticamente as oscilações diárias.
O IPCA de junho, a ser divulgado nas próximas semanas, deve capturar os primeiros efeitos da alta do petróleo sobre os transportes. A continuidade do conflito e a eventual necessidade de acionamento de estoques estratégicos por países da OCDE são pontos que permanecem em aberto e podem definir a trajetória dos preços nos próximos meses.











