Masayoshi Son, CEO do SoftBank Group, elevou o tom da corrida global por inteligência artificial ao projetar que os investimentos em infraestrutura de IA podem chegar a US$ 5 trilhões por ano até 2040. O executivo também estimou em US$ 46 trilhões o mercado potencial ligado à superinteligência artificial, conceito usado para descrever sistemas capazes de superar a capacidade humana em tarefas amplas.
A fala coloca o SoftBank entre os grupos mais agressivos na defesa de uma nova etapa de expansão da IA. Son rejeita a leitura de que o setor vive uma bolha especulativa e sustenta que os gastos em data centers, semicondutores, redes e energia serão absorvidos por uma transformação mais ampla da economia digital.
A projeção de US$ 5 trilhões anuais supera em escala os planos já bilionários de Amazon, Microsoft, Alphabet e Meta para infraestrutura de IA em 2026. Essas empresas vêm concentrando investimentos em data centers, chips e equipamentos de rede, pressionadas pela demanda por modelos generativos e serviços corporativos baseados em IA.
Aposta bilionária amplia pressão sobre energia e retorno
O tamanho da cifra desloca a discussão para dois gargalos centrais: a capacidade de energia necessária para sustentar data centers em escala industrial e o retorno financeiro de projetos que exigem capital cada vez maior antes de gerar receita recorrente. A tese de Son depende de uma expansão contínua da demanda por processamento e de uma queda progressiva no custo de computação.
O debate interessa também a países que tentam atrair data centers e cadeias de infraestrutura digital. Para o Brasil, a disputa global por capacidade de processamento abre espaço para projetos regionais, mas também aumenta a concorrência por energia, conectividade e segurança regulatória.
SoftBank tenta se posicionar no centro da próxima fase da IA
A projeção acompanha movimentos recentes do grupo em infraestrutura. Em maio, o SoftBank confirmou investimento de €45 bilhões para construir um polo de IA na Europa, com possibilidade de alcançar €75 bilhões. A estratégia reforça a tentativa do conglomerado japonês de ocupar uma posição central na cadeia que sustenta a inteligência artificial, do capital para empresas de tecnologia à infraestrutura física necessária para rodar os modelos.
Na prática, Son tenta transformar uma aposta de longo prazo em sinal para investidores, fornecedores e governos: se a superinteligência artificial avançar na escala prevista pelo SoftBank, a infraestrutura deixa de ser um custo de suporte e passa a ser o principal campo de disputa econômica da tecnologia.











