A Ânima Educação (ANIM3) assinou contrato para adquirir as Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), em recuperação judicial, por R$ 410 milhões, conforme fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nesta terça-feira (14).
A operação ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pelo juízo responsável pela recuperação judicial da FMU. O pagamento será dividido em duas parcelas: R$ 240 milhões à vista, se o fechamento ocorrer após 31 de dezembro de 2026, e R$ 170 milhões em 31 de dezembro de 2029 ou três anos após a aprovação definitiva do Cade, o que ocorrer primeiro.
A FMU conta com 51 mil alunos, seis campi na cidade de São Paulo e mais de 200 polos de ensino a distância espalhados pelo país. Fundada há mais de 50 anos, a instituição enfrentou grave crise financeira que a levou ao pedido de recuperação judicial.
Números da transação e situação financeira
Dados financeiros divulgados pela Ânima mostram que a FMU registrou receita líquida de R$ 281,7 milhões nos 12 meses encerrados em março de 2026, com EBITDA ajustado de R$ 52,9 milhões. A dívida líquida da instituição era de R$ 150,3 milhões no mesmo período. A Ânima, por sua vez, possui alavancagem de 2,39 vezes, o que indica espaço para novas aquisições sem comprometer sua saúde financeira.
A aquisição ocorre em um momento de transformações no setor educacional. Em junho, o PIRANOT noticiou a sanção do piso salarial de R$ 5.130,63 para professores da educação básica (leia aqui), medida que impacta os custos das instituições de ensino. A compra da FMU reforça a consolidação do ensino superior privado, com grandes grupos listados na B3 concentrando bases de alunos cada vez maiores. A Ânima já controla instituições como a IBMR e a São Judas, e a aquisição amplia sua participação no mercado paulista, o maior do país.
Próximos passos e incertezas
Além da aprovação do Cade, a transação depende da homologação pelo juízo da recuperação judicial da FMU. Até o momento, não há posicionamento oficial dos credores ou do administrador judicial sobre como os R$ 410 milhões serão distribuídos entre os débitos da instituição. A ausência de definição sobre o rateio dos recursos é um ponto de atenção para o desfecho do processo. O Cade pode impor restrições para evitar concentração excessiva no mercado de ensino superior de São Paulo.
A Ânima não informou prazo estimado para a conclusão da operação, mas o contrato prevê que o pagamento da primeira parcela só ocorrerá se o fechamento se der após 31 de dezembro de 2026, sugerindo que a tramitação no Cade e na Justiça pode levar mais de um ano. A expectativa é que o processo de análise pelo Cade dure de seis meses a um ano, mas pode se estender caso haja questionamentos de concorrentes.










