A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu 16 pessoas nesta terça-feira (14) em uma operação contra um grupo que usava inteligência artificial para criar falsas campanhas de doação com imagens de crianças com câncer.
A Operação Sophia, deflagrada pela polícia gaúcha, cumpriu 19 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em cinco estados: Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco. A investigação começou após a mãe de uma menina em tratamento oncológico denunciar que fotos e vídeos da filha estavam sendo usados sem autorização em sites de vaquinhas virtuais. A ação foi noticiada pela imprensa nacional (g1, Folha).
Segundo a polícia, o grupo movimentou cerca de R$ 1,7 milhão com as campanhas fraudulentas. Os criminosos utilizavam técnicas de deepfake e clonagem de voz para dar veracidade aos pedidos de ajuda, enganando doadores que acreditavam estar contribuindo para tratamentos médicos reais.
O esquema fraudulento
De acordo com as investigações, os suspeitos criavam sites falsos que imitavam plataformas legítimas de financiamento coletivo. Neles, publicavam fotos e vídeos manipulados por inteligência artificial de crianças com doenças graves, muitas vezes copiados de perfis reais de pacientes. As imagens eram alteradas para parecerem autênticas, e os criminosos chegavam a clonar a voz de familiares para gravar depoimentos emocionantes.
As doações eram recebidas por meio de chaves Pix vinculadas a contas de fachada, dificultando o rastreamento. A prática de falsas campanhas de doação não é nova, mas o uso de IA para produzir material falso em larga escala representa um salto de sofisticação, alertam os investigadores.
A investigação
A operação foi desencadeada a partir de uma denúncia registrada em Campo Bom, no Rio Grande do Sul. A mãe de uma menina com câncer descobriu que as imagens da filha estavam sendo usadas em campanhas fraudulentas e acionou a polícia. A partir daí, os agentes identificaram uma rede interestadual de suspeitos.
Além das prisões, foram apreendidos computadores, celulares e documentos. A polícia agora analisa o material para identificar outros possíveis envolvidos e vítimas. Até o momento, a defesa dos presos não se manifestou.
Próximos passos
Os suspeitos devem responder por estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A Polícia Civil do Rio Grande do Sul informou que as investigações continuam para rastrear o destino do dinheiro arrecadado e apurar a responsabilidade de intermediadores de pagamento que podem ter facilitado a abertura de contas fraudulentas.
A operação se soma a outras ações recentes contra fraudes digitais, como a que prendeu sete suspeitos de desviar recursos de aposentados no BRB, revelada pelo PIRANOT em junho.











