Na última edição desta coluna, o fio que amarrava a quinzena estava na palma da mão: a mesma tela de celular que paga o pão de uns e devora a comida de outros. Desta vez, o fio não está no que os colunistas do PIRANOT escreveram. Está no que alguns deles vão deixar de escrever. A partir desta semana, este portal pausa as colunas de todos os que entrarão na disputa eleitoral de outubro. É regra da casa: quem pede voto não assina análise aqui dentro enquanto durar o período eleitoral.
Pois bem. Em maio, esta coluna terminou com uma pergunta que me incomodava: quem está levando o pensamento de Piracicaba para onde as decisões são tomadas? A quinzena trouxe uma resposta. Barjas Negri, Dr. Sérgio Pacheco e Paulo Campos, todos com longa trajetória pública, voltam agora à disputa eleitoral. Durante um período, abriram espaço em suas trajetórias para a reflexão assinada. Com a campanha, esse parêntese se fecha — e Piracicaba chega à eleição com nomes conhecidos na cédula e ideias já registradas em público.
A pergunta de maio foi respondida — com nomes e partidos
Barjas Negri, ex-prefeito de Piracicaba, vai disputar uma vaga de deputado federal pelo PSD. Dr. Sérgio Pacheco será candidato a deputado federal pelo União Brasil. Paulo Campos — o segundo nome mais citado espontaneamente para prefeito em 2024, que havia estreado como articulista há menos de um mês — tenta a Câmara Federal pelo Podemos. Com a entrada deles na campanha, três colunas ficam pausadas durante o período eleitoral. E a lista de Piracicaba na disputa não para nos colunistas: Vinicius Marchese, presidente reeleito do Confea, licenciou-se do cargo para disputar deputado federal, também pelo PSD; Alex Madureira busca o mandato de deputado estadual pelo PL; e a professora Bebel tenta a reeleição na Assembleia Legislativa.
Não me lembro de outra eleição em que Piracicaba tenha colocado tantos nomes de peso, ao mesmo tempo, na disputa por Brasília e pela Assembleia. Se a cidade passou os últimos anos reclamando — com razão — de não ter representante à altura na mesa das decisões, a quinzena mostrou que o problema não será falta de candidato. Será escolher entre eles.
O que eles escreveram antes de sair de cena
O curioso é reler, em sequência, as últimas colunas dos que agora viram candidatos. Juntas, elas parecem um programa de governo escrito em capítulos.
Barjas Negri se despediu com uma aula sobre o financiamento do SUS. Em “É preciso que se apresentem soluções de aumento do financiamento público em benefício da população que depende do SUS”, o ex-prefeito lembrou que a União é obrigada a aplicar 15% de suas receitas líquidas de impostos em saúde, os estados 12% e os municípios 15% — e que, mesmo assim, o dinheiro não cobre o atendimento que a Constituição prometeu. Não é coluna de despedida. É tese de campanha, publicada dois dias antes da pausa.
Dr. Sérgio Pacheco escolheu como último tema os 200 anos da Festa do Divino Espírito Santo — “dois séculos de fé, cultura popular, encontro comunitário e pertencimento às margens do Rio Piracicaba”. E deixou uma frase que diz mais sobre visão de cidade do que muito plano de metas: “uma cidade é também feita de memória, cultura, espiritualidade, convivência e orgulho”.
O que Barjas descreveu em números, Pacheco descreveu em raízes. Um mostrou a planilha do que falta; o outro, o patrimônio do que permanece. São dois lados da mesma candidatura à representação de Piracicaba — e o eleitor fará bem em reler essas colunas em outubro, porque coluna assinada é compromisso público com data e link. Aqui ficam guardadas.
O resto da quinzena: instituições que ficam
Enquanto uns saíam para a disputa, os demais colunistas escreveram sobre o que sobrevive a elas. Mauricio Benato celebrou os 93 anos da ACIPI lembrando que “o verdadeiro valor de uma instituição está na sua capacidade de continuar sendo útil e necessária para a sociedade” — e que “nenhuma tecnologia substitui o olho no olho”. Clovis Vaz, na sua “A derrota da Seleção não cabe na súmula”, avisou que “a eliminação para a Noruega não começou quando o árbitro apitou o jogo” — começou quando “o negócio deixa de servir ao esporte e o esporte passa a servir ao negócio”. Fernanda Maestro abriu as férias de julho no cinema e no streaming, com a estreia de A Odisseia, de Christopher Nolan, puxando a fila. Gustavo Alves de Oliveira mostrou que a biodiversidade de Piracicaba ainda guarda surpresas, com o registro raro de uma garça-real na zona rural do município. E a Entrevista PIRANOT ouviu Matheus Bonassi, presidente do XV, repetindo o mantra que assumiu como missão: fazer no Nhô Quim “algo que nunca havia sido feito na história do clube: promover uma modernização, uma evolução e uma profissionalização”.
A régua fica com o leitor
A quinzena me deixou com uma certeza e uma pergunta. A certeza: Piracicaba vai escolher, em outubro, entre candidatos que já registraram, com data e link, o que pensam sobre saúde, economia e cidade. Agora, esse acervo permite comparar o discurso de campanha com o que cada um defendeu antes dela. É um registro raro — e pertence ao leitor.
Esta coluna é publicada quinzenalmente, às segundas-feiras, por Júnior Cardoso, diretor-fundador e editor-chefe do PIRANOT.















