domingo, 12 de julho de 2026
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Barjas Negri
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Ex-prefeito de Piracicaba por três mandatos (2005–2012 e 2017–2020) e ex-ministro da Saúde no governo Fernando Henrique Cardoso. Economista com...

“É preciso que se apresentem soluções de aumento do financiamento público em benefício da população que depende do SUS”

· 4 min de leitura · Atualizado em 09.07.2026

Nota da Redação: O portal PIRANOT preza pela liberdade de expressão e pela pluralidade de ideias. Ressaltamos, no entanto, que os textos de opinião publicados neste espaço são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam, obrigatoriamente, a visão do portal, de seus editores ou parceiros.

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Olá pessoal! Hoje quero falar com vocês sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), que revolucionou o atendimento médico para as pessoas carentes, permitindo o acesso a uma gama enorme de serviços gratuitamente. Já abordei esse tema em artigos e entrevistas e, ainda, tive a oportunidade de coordenar um livro com artigos das pessoas que trabalharam na sua regulamentação. Vamos lá!

A importância do SUS para os brasileiros

O Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado pela Constituição Federal de 1988, procurando universalizar o atendimento à população brasileira. Dá sua criação até 2000, o SUS teve instabilidade financeira e surgiram algumas alternativas, como em 1993 com a cobrança do IPMF (Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira). Em 1997 – até 2007 –  foi criada a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).

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No ano de 2000 foi aprovada a Emenda Constitucional nº 29/2000, que passou a obrigar a União, os estados e os municípios a aplicarem um percentual mínimo de seus impostos em Ações e Serviços Públicos de Saúde (ASPS).

Foi, então, a partir desse momento, que ocorreu uma certa estabilidade no seu financiamento, mas os recursos ainda eram insuficientes para cobrir todo o atendimento previsto pelo SUS. Hoje, o governo federal é obrigado a aplicar 15% de suas receitas líquidas de impostos nas ASPS; os estados, 12% e os municípios, 15%. 

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O atendimento do SUS

A população brasileira em 2025 era de 213 milhões de habitantes, estimando que o SUS atender 75% desse total, ou 160 milhões de brasileiros. O setor privado atende 25% da população, ou 53 milhões de pessoas. 

Como economista, pesquisador e gestor público por décadas, gosto de trabalhar com números. Agora quero falar do financiamento do SUS. Quando olhamos esses dados vamos verificar que o setor privado é responsável por 59% dos recursos e, o público, 41%. Isso mesmo, parece estranho mas é a nossa realidade. 

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Isso mostra claramente que o SUS é subfinanciado. Os recursos públicos – União, estados e municípios – são insuficientes para oferecer, acarretando a oferta de serviços públicos de saúde em quantidade e qualidade.

Para entender melhor essa minha análise, vale lembrar que o PIB brasileiro em 2025 foi de R$ 12,8 trilhões. Analogicamente, desse total cerca de 9,6% foram aplicados em saúde: 3,9% com o SUS e 5,7% no setor privado. 

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Comparado com outros países é uma boa aplicação, mas é muito baixa a participação pública no setor, que é responsável por 75% do atendimento da população brasileira que, realmente, depende do SUS.

Municípios estão sobrecarregados

O financiamento do SUS é partilhado entre a União, estados e municípios. No entanto, como os municípios estão mais próximos da população, os prefeitos e secretários são quem mais sobre a pressão popular para expansão do atendimento. Isso vem sobrecarregando financeiramente as prefeituras. Os gestores, e já me incluindo, sentem as dificuldades e as necessidades da população e, sensíveis às demandas, optam por atender a população, mesmo que isso represente mais gastos. 

A obrigação constitucional das prefeituras é de aplicar, pelo menos, 15% dos impostos municipais em ações de saúde. Atualmente, as prefeituras já estão aplicando, em média, 22,9%, o que significa um gasto adicional total em torno de R$ 45 bilhões por ano. Esses recursos extras obrigam os prefeitos a cortarem recursos de outras áreas. 

Vou ilustrar esse meu raciocínio. Acompanhem:

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Em 2002, quando fui ministro da Saúde – governo FHC – o governo federal respondia por 54% de todo o gasto com o SUS; os estados com 22,1% e os municípios, 25,5%. Atualmente, analisando dados, estima-se que a participação da União caiu para 46,3%; os estados ampliaram para 24,0% e os municípios, 29,7%.

Financiamento do SUS: Um debate nacional necessário

Assistimos nos últimos anos um envelhecimento da nossa população, com aumento da proporção de idosos no total de habitantes. População mais velha requer mais cuidados com saúde e mais custos. O SUS vai ficando sobrecarregado. Esse aumento do envelhecimento é um fenômeno mundial.

Além disso, há um acelerado avanço tecnológico com novos medicamentos, novas vacinas, novos tratamentos e novos modernos equipamentos. Tudo isso ajuda a salvar vidas e, portanto, custa mais caro. 

Esse é um debate a ser realizado nos próximos anos. É preciso que se apresentem soluções de aumento financiamento público em benefício da população que depende do SUS e, a cada ano, fica mais velha.

Barjas Negri é ex-ministro da Saúde do Brasil e foi prefeito de Piracicaba por 12 anos. Escreve quinzenalmente ao PIRANOT sempre aos domingos.

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Sobre o colunista

Barjas Negri

Ex-prefeito de Piracicaba por três mandatos (2005–2012 e 2017–2020) e ex-ministro da Saúde no governo Fernando Henrique Cardoso. Economista com passagens pela Unicamp e pelo governo federal, foi um dos responsáveis pela criação do programa Bolsa Escola. Escreve quinzenalmente no PIRANOT sobre saúde pública, gestão municipal e políticas sociais.

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