O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, disse à BBC nesta quinta-feira (28) que o governo americano e o Irã estão “muito próximos” de um acordo para ampliar o cessar-fogo na região, mas que a decisão final cabe ao presidente Donald Trump. “Ainda é algo a ser definido se o presidente vai assinar”, declarou.
O entendimento preliminar, negociado sob mediação do Sultanato de Omã, prevê a extensão por 60 dias da trégua vigente, o início de conversas formais sobre o programa nuclear iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz para a navegação comercial — ponto vital para o escoamento de petróleo do Oriente Médio. A aprovação do Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, também é necessária para que o acordo saia do papel.
A declaração de Vance, porém, contrasta com relatos da agência Reuters, que mais cedo havia noticiado que um acordo já teria sido alcançado, pendente apenas das chancelas finais. Do lado iraniano, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Nasser Baghaei, declarou no dia 25 que um pacto “não é iminente”, apesar de reconhecer “algum progresso”.
A divergência reflete a complexidade das negociações. Enquanto os EUA concentram as discussões no cessar-fogo e na questão nuclear, o Irã insiste em vincular qualquer trégua duradoura a um cessar-fogo no Líbano, onde milícias aliadas de Teerã combatem Israel. Analistas apontam que a exigência libanesa, não mencionada publicamente por Washington, é hoje o principal nó diplomático.
Como o PIRANOT tem registrado desde o início das hostilidades, as tensões escalaram em abril deste ano, quando os EUA realizaram ataques cirúrgicos contra instalações militares iranianas em resposta a ofensivas dos rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, contra navios mercantes no mar Vermelho. Desde então, Omã capitaneou um esforço de mediação que conseguiu interromper os combates temporariamente, mas sem avançar para uma trégua permanente.
No campo econômico, a expectativa de normalização do tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, reduziu momentaneamente a pressão sobre os contratos futuros do Brent, embora a indefinição mantenha a volatilidade nos mercados. Operadores acompanham com cautela o prazo para a decisão de Trump, que a Casa Branca se recusou a especificar.
Nenhum posicionamento oficial do governo brasileiro havia sido tornado público até a conclusão desta edição. O PIRANOT continuará acompanhando os desdobramentos.
Com informações da BBC, Reuters, CBS News e Irish Times.











