As fabricantes de memória Micron Technology e SK Hynix ultrapassaram, em menos de 24 horas, a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado, impulsionadas pela demanda de chips para inteligência artificial. A Micron cruzou o patamar na sessão de 26 de maio de 2026, com alta de até 19,3% no dia após o UBS elevar o preço-alvo da ação. A SK Hynix atingiu a marca na manhã seguinte, com valorização de até 11% e cotação a 2,28 milhões de wones por papel.
A Samsung Electronics, maior fabricante de chips de memória do mundo, já havia entrado no clube do trilhão no início de maio, depois de reportar lucro operacional oito vezes maior no primeiro trimestre. Com a chegada de Micron e SK Hynix, as três principais produtoras globais de memória passam a integrar o mesmo grupo de valuation pela primeira vez.
UBS multiplica preço-alvo da Micron por três
O banco suíço UBS elevou o preço-alvo da Micron de US$ 535 para US$ 1.625, movimento que ancorou a disparada da ação em Wall Street. A revisão reflete a tese de que os chips de memória deixaram de operar em ciclos curtos de commodity e passaram a ter precificação estruturalmente mais alta, sustentada pela demanda por memória de alta largura de banda (HBM).
Os chips HBM empilham múltiplas camadas de memória para acelerar a troca de dados com processadores gráficos e tornaram-se o insumo mais disputado pelas operadoras de data centers de IA, entre elas Nvidia e Google. A oferta de HBM para 2026 já está integralmente vendida, segundo relatórios do setor, condição que sustenta múltiplos elevados para as três fabricantes.
SK Hynix sobe mais de 250% no ano
A SK Hynix, principal fornecedora de HBM para a Nvidia, acumula valorização superior a 250% em 2026. A Micron acelerou planos de fabricação nos Estados Unidos e na Ásia para atender ao avanço da demanda. A TSMC, maior fabricante terceirizada de chips do mundo, ampliou seu investimento nos Estados Unidos de US$ 40 bilhões para US$ 65 bilhões, sinal de que a capacidade de produção segue migrando para o atendimento da indústria de IA.
O contraste aparece no mercado físico de Huaqiangbei, em Shenzhen, principal polo chinês de semicondutores. Enquanto as gigantes globais batem recordes de valuation, comerciantes locais relatam queda nos preços de chips legados, indicando que a valorização está concentrada nos componentes de ponta voltados à inteligência artificial.
A entrada simultânea das três maiores fabricantes de memória no clube do trilhão reclassifica o setor, antes tratado como cíclico, como um dos pilares da infraestrutura da economia digital. Para investidores brasileiros, a exposição ao ciclo segue indireta, via fundos internacionais e papéis de tecnologia listados no exterior.











