Gestores ativos de Wall Street estão encontrando dificuldades para superar os índices de mercado devido à crescente concentração dos ganhos do S&P 500 em ações de inteligência artificial, como a Nvidia, segundo reportagem da Bloomberg (via Financial Post) nesta sexta-feira (22).
O movimento, que se intensificou desde 2023 com o boom da IA generativa, fez com que poucas empresas de tecnologia passassem a responder por parcela desproporcional da valorização do principal índice acionário americano. A Nvidia, em particular, tornou-se o símbolo dessa concentração, acumulando alta expressiva e puxando o S&P 500 para cima, enquanto a maioria das ações ficou para trás.
Enquanto isso, as big techs já perderam US$ 1,5 trilhão em valor de mercado com revisões de expectativas, de acordo com reportagem da Exame. Analistas consultados pelo IBTimes apontam que, apesar da volatilidade, o ciclo de expansão da IA ainda pode estar no início, o que mantém a pressão sobre os gestores que tentam diversificar suas carteiras.
O temor de que a concentração em IA distorça os mercados já é uma realidade para muitos investidores, conforme afirmou o site The Wealth Advisor. Uma pesquisa da Bloomberg News com 32 gestores globais revelou que 80% esperam que as ações superem outras classes de ativos nos próximos meses, mas a alta dependência de poucos papéis gera desconforto.
A armadilha da subponderação em IA
A lógica da gestão ativa recomenda diversificação para reduzir riscos, mas a concentração dos ganhos em poucos papéis de IA cria um dilema: quem ficou de fora dessas ações viu seu desempenho relativo despencar. Segundo a Bloomberg, muitos fundos estão subponderados em Nvidia e outras líderes do setor, o que os impede de acompanhar o S&P 500.
Para piorar, a alta das ações de IA não acompanhou um movimento generalizado do mercado, o que torna a tarefa de bater o índice ainda mais difícil. Gestores que apostaram em setores tradicionais ou em small caps amargaram retornos inferiores, ampliando a diferença para os fundos passivos.
Reflexos para investidores brasileiros
No Brasil, fundos que investem em ativos no exterior ou que replicam estratégias globais também sentem o impacto. Embora a cobertura local sobre o tema ainda seja escassa, especialistas alertam que a concentração em IA pode distorcer a rentabilidade de carteiras que buscam exposição aos Estados Unidos, especialmente aquelas que não têm posições relevantes nas líderes do setor.
A recomendação de analistas é que investidores avaliem com cautela a composição de seus fundos internacionais, verificando se estão excessivamente subponderados em tecnologia de IA. Enquanto o debate sobre se a IA vive uma bolha ou um novo ciclo estrutural segue em aberto, o fato é que, por ora, a concentração nos ganhos do mercado americano é um obstáculo real para a gestão ativa.











