A Petrobras anunciou a meta de atender 35% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados até 2028. O plano prevê a reativação de quatro fábricas nos estados da Bahia, Sergipe, Paraná e Mato Grosso do Sul.
O objetivo é reduzir a dependência de importações, que hoje respondem por 85% do consumo, segundo a estatal. A retomada ocorre após anos de paralisação e desinvestimento. As unidades da Bahia (Fafen-BA) e de Sergipe (Fafen-SE) foram arrendadas à Unigel em 2019, mas a empresa interrompeu a operação em 2023 alegando inviabilidade econômica pelo preço do gás natural. A Petrobras investiu R$ 38 milhões em cada uma para reiniciar a produção.
A Fafen-BA produzirá 1.300 toneladas por dia de ureia e Arla 32, afirmou Magda Chambriard, presidente da Petrobras, em evento na Bahia. A unidade de Sergipe terá capacidade de 1.800 toneladas/dia de ureia e amônia. Juntas, representam cerca de 12% do mercado nacional de ureia.
Acordo de tolling e investigação do TCU
A reativação das plantas no Nordeste foi viabilizada pela redução do custo do gás natural, principal insumo dos fertilizantes nitrogenados. A Petrobras firmou um acordo de “tolling” com a Unigel, no qual a estatal fornece o gás e a parceira opera as fábricas.
O Tribunal de Contas da União (TCU) investigou o acordo devido ao risco de prejuízo estimado em R$ 487 milhões. “O TCU apontou risco de prejuízo estimado em cerca de R$ 487 milhões com o acordo de ‘tolling'”, informou a corte em auditoria. A investigação, segundo o tribunal, ainda está em curso.
UFN III e Fafen-PR completam plano sob alertas
A fábrica de Três Lagoas (MS), a UFN III, está com 80% das obras concluídas e receberá US$ 1 bilhão em investimentos. Quando pronta, responderá por 15% da demanda nacional de ureia. A Fafen-PR, em Araucária, foi fechada em 2020 por decisão do governo Bolsonaro, conforme a estatal, e contribuirá com 8% da demanda.
O histórico de desativações levanta dúvidas sobre a sustentabilidade do plano. A Fafen-BA foi hibernada em 2019 e paralisada em 2023. A Fafen-PR teve a produção interrompida em 2020. A Petrobras já havia alegado problemas financeiros para fechar a unidade baiana em 2018.
A volatilidade do preço do gás natural e a concorrência com fertilizantes importados são os principais desafios. “A retomada foi viabilizada pela redução do custo do gás natural”, afirmou Chambriard, sem detalhar projeções de rentabilidade de longo prazo. A Petrobras aprovou R$ 3,5 bilhões para a retomada das obras, mas não divulgou estimativas de retorno financeiro.
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