O que já sabemos
- Produção da Ansa cobre apenas 8% da demanda nacional de ureia.
- Brasil importou 45 milhões de toneladas de fertilizantes em 2025, recorde.
- Plano Nacional de Fertilizantes 2050 mira reduzir importação para 50%.
- Conflitos no Oriente Médio e Ucrânia agravam crise de abastecimento.
A Petrobras retomou a produção de ureia na fábrica de Araucária (PR) após seis anos parada, mas o volume gerado representa apenas 8% do consumo nacional. O investimento de R$ 870 milhões não altera a dependência externa do Brasil, que importa mais de 85% dos fertilizantes.
O Brasil importou 45 milhões de toneladas de fertilizantes em 2025, recorde histórico, segundo dados oficiais. A crise global, agravada por conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, pressiona preços e ameaça o abastecimento do agronegócio.
O governo federal lançou o Plano Nacional de Fertilizantes 2050, com meta de reduzir a importação para 50% até 2050. No entanto, o ritmo atual de investimentos é insuficiente para garantir segurança alimentar diante de choques geopolíticos.
Retomada da ureia: investimento bilionário, impacto limitado
A unidade Ansa, em Araucária, tem capacidade para 720 mil toneladas por ano. Esse volume cobre apenas 8% do consumo nacional de ureia, conforme a Petrobras. O discurso inicial de que atenderia 20% do mercado não se sustenta com os números atuais.
“A retomada da produção de ureia é um passo importante, mas ainda insuficiente para reduzir nossa vulnerabilidade”, declarou o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, em nota oficial. A estatal investiu R$ 870 milhões na reativação da fábrica.
Enquanto isso, o Brasil segue exposto a oscilações de preço e risco de desabastecimento. O Plano Nacional de Fertilizantes 2050 prevê investimentos de longo prazo, mas a meta de reduzir a importação para 50% parece distante.
Crise global dos fertilizantes e dependência externa do Brasil
O Brasil importa entre 80% e 88% dos fertilizantes que consome, segundo o governo federal. Em 2025, o país bateu recorde, com 45 milhões de toneladas adquiridas no exterior, conforme dados oficiais.
Conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia elevam os preços dos fertilizantes e pressionam o agronegócio. A guerra entre Irã e Israel, por exemplo, ameaça o fluxo de potássio e fosfato, insumos essenciais.
“O Brasil depende de importações de mais de 80% dos fertilizantes utilizados na agricultura”, afirmou o Ministério da Agricultura, citando o Plano Nacional de Fertilizantes 2050. O plano estabelece meta de reduzir a dependência externa para 50% até 2050, com investimentos em novas plantas e parcerias internacionais.
Impacto da retomada para o agronegócio brasileiro
A retomada da produção de ureia pela Petrobras representa um alívio pontual, mas não altera o quadro de dependência externa. Segundo dados do Cepea, a unidade tem capacidade para produzir 475 mil toneladas por ano, o que cobre apenas 8% da demanda nacional de ureia.
O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, e o contexto geopolítico torna essa vulnerabilidade ainda mais arriscada. Especialistas do Cepea apontam que, para reduzir o déficit estrutural, seriam necessários investimentos em novas plantas e inovação tecnológica.
“A reabertura da Ansa é positiva, mas o Brasil precisa de um programa robusto para não ficar refém das importações”, afirmou analista do Cepea, em nota. Sem novas fábricas, o país continuará exposto a choques externos de preço e abastecimento.











