A Track & Field encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 41,5 milhões, cifra 6,3% superior à registrada um ano antes, mas viu suas margens encolherem sob o peso da maior participação das franquias na receita — efeito que a companhia classifica como temporário.
A receita líquida consolidada alcançou R$ 251,2 milhões, expansão de 18% na comparação anual, impulsionada pela abertura de lojas e pelo crescimento das vendas no atacado. O Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 61,6 milhões, alta de 12,6%. Os números foram divulgados pela própria empresa na noite de 11 de maio.
Apesar do avanço no lucro e na receita, a rentabilidade operacional recuou. A margem Ebitda ajustada cedeu 1,2 ponto percentual, para 24,5%, refletindo a compressão na margem bruta. A queda decorre de um “mix de canais desfavorável” — com o crescimento mais acelerado das franquias em relação às lojas próprias. No modelo de franquias, a receita é reconhecida inicialmente sem os royalties, o que deprime a margem bruta no curto prazo.
O desempenho contrasta com o quarto trimestre de 2025, quando a margem bruta havia atingido 59,2%, beneficiada por uma participação maior de lojas próprias e de receitas de royalties. A empresa reiterou que a tendência é de normalização das margens conforme os contratos de franquia amadurecem e os royalties passam a ser contabilizados.
O resultado financeiro líquido piorou 35,8%, para um saldo negativo de R$ 10,4 milhões, pressionado por despesas com juros sobre passivos. Já o saldo de caixa líquido — indicador que desconta a dívida bruta — fechou o trimestre em R$ 63,6 milhões, abaixo dos R$ 76,8 milhões registrados em dezembro de 2025, sinalizando consumo de caixa operacional no período.
Expansão por franquias pressiona rentabilidade no curto prazo
A abertura de franquias tem sido o motor de crescimento da Track & Field nos últimos anos. O modelo exige menos capital e acelera a capilaridade da marca, mas gera um descasamento contábil: a venda de produtos para franqueados entra como receita, enquanto os royalties — que turbinam as margens com baixo custo — só são reconhecidos meses depois. “É um efeito natural do ciclo de expansão”, afirmou a administração da companhia.
Analistas que acompanham a empresa destacaram que, uma vez equalizado o mix de canais, as margens tendem a retornar ao patamar histórico, superior a 55% no bruto e perto de 28% no Ebitda ajustado. A varejista não forneceu projeções, mas sinalizou que mantém o plano de acelerar a abertura de lojas no segundo trimestre, o que pode manter a pressão marginal sobre a rentabilidade por mais alguns meses.
No cenário competitivo, enquanto a Track & Field aposta na verticalização e no estilo de vida esportivo, outras varejistas do segmento, como o Grupo SBF (dono da Centauro), reportaram lucro de R$ 74,2 milhões no mesmo período, com margens mais estáveis por operarem majoritariamente com lojas próprias e plataforma digital integrada.
A empresa encerrou o trimestre com 409 lojas, sendo 390 franquias e apenas 19 próprias, reforçando o modelo de baixo ativo imobilizado. A expectativa de normalização das margens está ancorada na maturação dos contratos firmados nos últimos dois anos, que devem começar a gerar royalties recorrentes a partir do segundo semestre.
📖 Leia também
- Bradesco lucra R$ 6,8 bilhões no 1º trimestre de 2025 e supera projeções em cenário advers
- Mastercard lucra US$ 3,9 bilhões no 1º trimestre, mas ação cai com temor de recessão
- Vibra Energia lucra R$ 1,49 bilhão no 1T26, alta de 63% impulsionada por margens
- Tesla lucra US$ 477 mi no 1º tri de 2026, mas perde liderança para BYD











