O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou torcer pelo fortalecimento da “química” entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente americano Donald Trump, em encontro marcado para esta quinta-feira (7) em Washington. A reunião ocorre após meses de tensões comerciais e diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
A viagem de Lula tenta normalizar relações abaladas por tarifas americanas e pela expulsão de um delegado da Polícia Federal que cumpria missão nos EUA. Segundo apuração do InfoMoney, o governo brasileiro busca usar o déficit comercial americano como argumento central contra as barreiras tarifárias.
Alckmin classificou o tarifaço americano como “sem sentido” em declaração ao InfoMoney, argumentando que os EUA têm déficit na balança comercial com o Brasil, não o contrário. A pauta incluirá revisão de tarifas, parcerias em minerais críticos e a situação da Venezuela, mas detalhes de acordos não foram divulgados.
Encontro em Washington busca distensionar atritos comerciais e diplomáticos
O encontro entre Lula e Trump foi agendado após meses de desgaste nas relações bilaterais. A expulsão de um delegado da PF que atuava em missão nos Estados Unidos e a imposição de tarifas americanas sobre produtos brasileiros elevaram a tensão.
Alckmin aposta na “boa química” entre os líderes para distensionar os atritos. “O tarifaço americano contra o Brasil não tem sentido, porque os EUA têm déficit comercial conosco”, declarou ao InfoMoney.
Apesar do tom otimista, o governo não apresentou dados oficiais que sustentem a alegação de déficit. Os EUA são o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, o que amplia o impacto de qualquer decisão tarifária sobre a economia nacional.
Oposição ironiza e pressiona governo Lula por aproximação com Trump
A viagem de Lula a Washington reacendeu críticas da oposição. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro ironizou a iniciativa em suas redes sociais, questionando a soberania nacional diante dos recentes atritos bilaterais.
“E a soberania?”, escreveu, em referência a episódios como a expulsão do delegado da PF. A pressão política interna expõe as contradições da diplomacia petista, que tenta normalizar relações enquanto enfrenta resistência de setores alinhados ao bolsonarismo.
Alckmin buscou blindar o encontro, afirmando torcer pelo “fortalecimento da química” entre os líderes. No entanto, a ironia da oposição reflete a fragilidade do discurso governista, já que a pauta incluirá justamente a revisão de tarifas consideradas “sem sentido” pelo vice-presidente.
Balança comercial vira trunfo retórico, mas faltam dados concretos
A alegação de Alckmin de que os EUA têm déficit comercial com o Brasil carece de números oficiais que a sustentem publicamente. O setor produtivo e o mercado permanecem em compasso de espera por dados que possam embasar a negociação.
A reunião entre Lula e Trump ocorre sob pressão política interna e em meio a atritos recentes. A ausência de informações concretas sobre o suposto déficit mantém a incerteza sobre a efetividade do argumento brasileiro na mesa de negociação.
Apesar do tom otimista de Alckmin, a visita a Washington expõe as contradições de um governo que critica tarifas, mas busca reaproximação com o ex-presidente americano. O encontro testará a capacidade de Lula em traduzir a “química” pessoal em acordos comerciais concretos.











