O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello afirmou que a reforma do Judiciário não pode ser “obra de gabinete” nem “produto de ressentimento político”. A declaração, publicada, ocorre em meio à crise de imagem da Corte, agravada pelo caso Banco Master.
“Não se pode fazer uma reforma do Judiciário como reação a episódios conjunturais ou motivada por ressentimento político”, disse Celso de Mello. Para ele, o processo deve ser participativo, com audiências públicas e contribuições de magistrados, advogados e da sociedade civil.
A fala do decano contrasta com a proposta apresentada pelo ministro Flávio Dino, que em abril de 2026 sugeriu 15 medidas para o Judiciário. segundo STF, o pacote prevê punições mais rigorosas para juízes e servidores, mas foi criticado por supostamente isentar o STF de mudanças estruturais.
Celso de Mello defendeu que o debate seja amplo e apartidário, sob risco de a reforma perder legitimidade. “Reformas estruturais no Judiciário não podem ser concebidas no isolamento de gabinetes ou movidas por mágoas institucionais”, afirmou, em entrevista à imprensa de S.Paulo.
A declaração acirrou o debate sobre os limites da atuação do Executivo na reorganização do sistema de Justiça. Para o ex-ministro, a iniciativa de Dino carece de participação social e pode ser vista como resposta a pressões políticas.
\n\n\n\nO ministro Flávio Dino apresentou um pacote de 15 medidas para uma “Nova Reforma do Judiciário”, em meio à crise institucional desencadeada pelo caso Banco Master. A proposta, segundo STF, isenta o STF de mudanças estruturais, o que gerou críticas de entidades de magistrados e associações jurídicas.
O pacote inclui punições mais rigorosas para juízes e a criação de um código de ética nacional, mas mantém intacta a composição e as competências do Supremo. Para críticos, a reforma desvia o foco do STF, que enfrenta pressão após revelações sobre supostas fraudes no Banco Master.
\n\n\n\nA Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) manifestou preocupação com o que chamou de “reforma seletiva”. A entidade defende que mudanças no Judiciário devem abranger todos os tribunais, incluindo o STF.
A crise envolvendo o Banco Master ampliou o desgaste do STF, com os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes no centro do escândalo. Segundo a Gazeta do Povo, Toffoli e Moraes adotam estratégias opostas para lidar com a pressão: enquanto um busca isolamento, o outro tenta articular saídas institucionais.
\n\n\n\nA situação levou Flávio Dino a apresentar o pacote de reforma. No entanto, Celso de Mello criticou a iniciativa, afirmando que “reforma do Judiciário não pode ser obra de gabinete ou produto de ressentimento político” — declaração publicada.
\n\n\n\nA crise do Banco Master expõe fragilidades na supervisão judicial e reacende o debate sobre a necessidade de aprimoramento republicano. Embora a reforma seja necessária, corre o risco de ser vista como reação ao escândalo, e não como política de Estado de longo prazo.
\n\n\n\n\n\n\n\n\n











