O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou no Diário Oficial da União a exoneração de 17 ministros que deixaram seus cargos para concorrer nas eleições de outubro. A medida atende à legislação eleitoral, que determina a desincompatibilização de ocupantes de cargos de confiança seis meses antes do pleito. A maioria das pastas será ocupada pelos respectivos secretários-executivos ou secretários de áreas, garantindo continuidade administrativa.
Além dos 17 ministros exonerados para disputar eleições, houve uma substituição adicional por movimentação interna. André de Paula deixou o Ministério da Pesca e Aquicultura para assumir o Ministério da Agricultura, vaga aberta pela saída de Carlos Fávaro. O secretário-executivo Edipo Araujo foi nomeado para a Pesca, completando o ciclo de mudanças no chamado “bloco econômico” do governo.
Entre as principais saídas está a do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que deixa o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para repetir a chapa com Lula como candidato a vice-presidente. Márcio Elias Rosa, secretário-executivo da pasta, assumirá o comando. No Ministério da Fazenda, Fernando Haddad (PT) foi desincompatibilizado para concorrer ao governo de São Paulo, sendo substituído por Dario Durigan, seu secretário-executivo.
Planejamento e Casa Civil têm mudanças atípicas
O Ministério do Planejamento e Orçamento foi exceção à regra de substituição pelos secretários-executivos. Simone Tebet (PSB) deixou a pasta para concorrer ao Senado por São Paulo, e Lula nomeou Bruno Moretti, até então secretário especial de Análise Governamental da Casa Civil. Moretti já atuava no dia a dia do Orçamento a partir do Planalto e era considerado braço direito do ex-ministro Rui Costa. Gustavo Guimarães, secretário-executivo de Tebet, também deixou a equipe econômica.
Na Casa Civil, Rui Costa (PT) saiu para disputar o Senado pela Bahia e deu lugar a Miriam Belchior, sua secretária-executiva. Já no Ministério das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT) foi exonerada para concorrer ao Senado pelo Paraná, mas o governo ainda não anunciou seu substituto. O Ministério do Empreendedorismo também permanece sem substituto definido após a saída de Márcio Franca (PSB), pré-candidato ao Senado em São Paulo.
Ministros que permanecem no governo
Alguns ministros que cogitavam candidaturas decidiram permanecer no governo por acordo político com Lula, sendo escalados para entregas do último ano do mandato. É o caso de Alexandre Padilha (Saúde), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e Wolney Queiroz (Previdência). A estratégia busca garantir estabilidade administrativa em áreas consideradas prioritárias para a reta final do governo.
Lista completa de substituições
Casa Civil: Sai Rui Costa (PT) para o Senado pela Bahia; entra Miriam Belchior. Desenvolvimento, Indústria, Comércio: Sai Geraldo Alckmin (PSB) para vice-presidência; entra Márcio Elias Rosa. Fazenda: Sai Fernando Haddad (PT) para o governo de SP; entra Dario Durigan. Planejamento: Sai Simone Tebet (PSB) para o Senado; entra Bruno Moretti.
Cidades: Sai Jader Filho (MDB) para deputado federal pelo Pará; entra Antônio Vladimir Moura Lima. Educação: Sai Camilo Santana (PT), cotado para o governo do Ceará; entra Leonardo Barchini. Transportes: Sai Renan Filho (MDB) para governador de Alagoas; entra George Santoro. Meio Ambiente: Sai Marina Silva (Rede) para o Senado; entra João Paulo Capobianco.
Agricultura: Sai Carlos Fávaro (PSD) para o Senado pelo Mato Grosso; entra André de Paula. Pesca: Sai André de Paula para a Agricultura; entra Edipo Araujo. Desenvolvimento Agrário: Sai Paulo Teixeira (PT) para deputado federal; entra Fernanda Machiaveli. Igualdade Racial: Sai Anielle Franco (PSOL) para deputada federal; entra Rachel Barros de Oliveira.
Povos Indígenas: Sai Sônia Guajajara (PSOL) para reeleição como deputada federal; entra Eloy Terena. Esporte: Sai André Fufuca (PP) para o Senado pelo Maranhão; entra Paulo Henrique Perna Cordeiro. Portos e Aeroportos: Sai Silvio Costa Filho (Republicanos) para reeleição como deputado federal; entra Tomé Franca. Direitos Humanos: Sai Macaé Evaristo (PT) para reeleição; substituto não informado.
As mudanças reflesem o calendário eleitoral e o esforço do governo para manter a gestão funcionando durante o período de campanha. Os novos ministros assumem em momento delicado, com desafios econômicos e políticos na reta final do mandato. A escolha de secretários-executivos garante continuidade, pois são técnicos que já conhecem a rotina das pastas.











