A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) reservou R$ 130 milhões para um plano de diversificação de mercados, após os Estados Unidos anunciarem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O anúncio foi feito pelo presidente da agência, Laudemir Müller, nesta sexta-feira (17).
A sobretaxa, que entra em vigor em 22 de julho, deve atingir US$ 7,2 bilhões das exportações brasileiras aos EUA, o equivalente a 18,9% do total de US$ 38 bilhões vendidos em 2025, segundo estimativa da própria ApexBrasil. O valor reservado para o plano de contingência, no entanto, representa uma fração ínfima desse montante — cerca de R$ 130 milhões, ou menos de 0,4% do valor em dólares das exportações sob risco. O percentual de 18,9% é ligeiramente superior aos 18% citados pelo governo federal, divergência que reflete o cálculo direto sobre os US$ 7,2 bilhões em relação ao total exportado.
Müller afirmou que a agência trabalhará com 57 entidades do setor privado para definir a estratégia, que será anunciada nos primeiros dias de agosto. “Nós reservamos R$ 130 milhões, vamos trabalhar junto com as 57 entidades do setor privado com as quais nós temos parceria”, disse, em declaração reproduzida pela imprensa.
Retaliação comercial e setores afetados
A tarifa foi imposta sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, instrumento que permite retaliações unilaterais. A medida atinge principalmente produtos como madeira e granito, que possuem cadeias produtivas regionalizadas no Brasil e geram impacto indireto em fornecedores de insumos industriais. A tarifa foi anunciada em 15 de julho e entrará em vigor em 22 de julho, conforme comunicado da Casa Branca.
A ApexBrasil não detalhou a lista completa de itens sobretaxados, mas estima que 18,9% das exportações brasileiras ao mercado americano serão afetadas. A iniciativa se soma a outros programas de fomento do governo, como o Plano Safra recorde anunciado em julho, que o PIRANOT mostrou ter enfrentado questionamentos da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).
Desproporção entre perda e resposta financeira
O montante de R$ 130 milhões reservado para diversificação contrasta com os US$ 7,2 bilhões em exportações sob risco. Em valores aproximados, a verba equivale a menos de 0,4% do total que pode ser afetado pela tarifa de 25%.
Além da madeira e do granito, a agroindústria brasileira também pode sofrer impactos, uma vez que os EUA são o principal destino de diversos produtos do setor. A ApexBrasil não informou quais mercados alternativos serão priorizados para substituir a demanda americana, nem como os recursos serão distribuídos entre os 57 parceiros privados.
A agência não divulgou projeções de quanto o plano pode recuperar em exportações, nem o cronograma de implementação das ações. A estratégia, segundo Müller, será “específica” e construída em conjunto com o setor produtivo.
Anúncio em agosto e lacunas
O plano de diversificação será apresentado nos primeiros dias de agosto, segundo Müller. Até lá, a tarifa de 25% já estará em vigor, e os exportadores brasileiros terão de arcar com o custo adicional sem as medidas de mitigação.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Itamaraty não se manifestaram sobre a possibilidade de retaliação ou negociação com os EUA. A ApexBrasil também não informou se o plano incluirá ações de curto prazo, como subsídios ou linhas de crédito emergenciais.











