Michelle Bolsonaro deixou de seguir, no Instagram, os perfis de Eduardo, Carlos e Jair Renan Bolsonaro. A ex-primeira-dama, porém, manteve Flávio Bolsonaro entre as contas que acompanha na rede social. O gesto ganhou peso político porque ocorre depois de uma sequência de atritos públicos no entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro e reacende a leitura de que a família atravessa uma fase de tensão interna.
A movimentação foi registrada na segunda-feira (29) e envolve três dos quatro filhos do ex-presidente. Michelle não apresentou uma explicação pública para a mudança em sua lista de seguidos. Também não há manifestação dos enteados sobre o episódio.
O caso ganhou repercussão porque vem na esteira de um vídeo publicado por Michelle em 24 de junho, no qual ela falou em desrespeito e ataques dirigidos a ela. A fala foi interpretada no meio político como mais um capítulo do desconforto entre a ex-primeira-dama e integrantes do núcleo bolsonarista, especialmente após desgastes envolvendo Flávio.
Gesto nas redes amplia ruído no campo bolsonarista
Em política, um “unfollow” raramente encerra uma ruptura formal. Mas, no caso de Michelle, a sinalização nas redes se soma a uma disputa de imagem que já vinha aparecendo em público. Carlos Bolsonaro elevou a temperatura no início de junho ao criticar a chamada “direita permitida”, expressão usada em meio à reorganização de lideranças conservadoras para 2026.
Michelle ocupa hoje uma posição sensível nesse tabuleiro. Ela é tratada por aliados como uma das alternativas eleitorais da direita caso Jair Bolsonaro permaneça fora da disputa presidencial. Em maio, pesquisa Datafolha mostrou a ex-primeira-dama com 22% das intenções de voto no primeiro turno, atrás de Lula, que aparecia com 41%.
Esse contexto ajuda a explicar por que uma alteração aparentemente pessoal nas redes sociais ganhou leitura política. A relação de Michelle com os filhos de Bolsonaro interessa ao PL e a aliados porque afeta a unidade simbólica do bolsonarismo, especialmente em um momento em que diferentes nomes disputam espaço para representar a direita na próxima eleição.
Sem ruptura formal, efeito imediato é político
Não há, por ora, anúncio de rompimento entre Michelle e os enteados nem indicação de mudança formal no PL. O dado concreto é a alteração pública na rede social: Eduardo, Carlos e Jair Renan deixaram de aparecer entre os perfis seguidos pela ex-primeira-dama, enquanto Flávio permaneceu na lista.
Na prática, o episódio reforça a exposição das fissuras internas do grupo bolsonarista. Para Michelle, qualquer gesto público passa a ser lido também pela lente eleitoral; para os filhos do ex-presidente, a movimentação pressiona a família a administrar uma crise que deixou de ficar restrita aos bastidores e passou a se manifestar diante dos seguidores.
O próximo efeito dependerá de manifestações dos envolvidos ou de novos movimentos públicos no PL. Até lá, o unfollow permanece como sinal político: não confirma uma ruptura, mas mostra que a disputa por influência dentro do bolsonarismo já se expressa também nas redes.










