A Movida desembolsou R$ 100 milhões para comprar 724 veículos da Copel, estatal paranaense de energia e telecomunicações, e absorveu junto à frota a totalidade dos contratos de locação a ela vinculados — transação que acrescenta R$ 3,3 milhões por mês à receita da locadora, controlada pelo Grupo Simpar.
Para a Copel, a operação encerra a gestão de um ativo periférico: estatais e grandes empresas têm optado cada vez mais pela terceirização de frotas não estratégicas, liberando capital e atenção gerencial para a atividade-fim. Para a Movida, o raciocínio é o inverso — e está na base da disputa acirrada com Localiza e Unidas pelo topo do mercado de locação corporativa. Contratos com estatais entregam receita previsível de longo prazo e risco de inadimplência estruturalmente inferior ao do aluguel avulso: exatamente o terreno em que a locadora quer crescer.
O movimento ocorre em momento favorável. O Bank of America elevou a recomendação para as ações da Movida (MOVI3), destacando o impacto positivo da reforma tributária sobre o fluxo de caixa da companhia — melhora que amplia a capacidade da locadora de financiar aquisições como esta. Com a carteira da Copel incorporada ao portfólio, a Movida expande a presença junto a clientes estatais, nicho ainda subexplorado no Brasil: diversas companhias públicas mantêm frotas próprias passíveis de futuras rodadas de terceirização à medida que avança a pressão institucional por eficiência.
A aquisição sinaliza o apetite da Movida por carteiras similares de outras empresas públicas e consolida sua expansão no segmento corporativo — o de margens mais previsíveis e menor volatilidade entre as linhas de negócio das grandes locadoras do país.









