As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta nesta terça-feira (30), embaladas pela recuperação das ações de tecnologia em Nova York. O movimento deu fôlego aos principais índices da região, mas veio acompanhado de nova pressão sobre o iene, que voltou a rondar níveis próximos aos mais baixos desde 1986.
Em Tóquio, o Nikkei subiu 0,86%, aos 70.062,32 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi avançou 0,97%, para 8.476,48 pontos. O Taiex, de Taiwan, teve o desempenho mais forte entre os grandes mercados asiáticos e saltou 2,50%, aos 46.125,91 pontos, apoiado pelo apetite por papéis ligados a semicondutores.
Na China continental, o Shanghai Composto ganhou 0,50%, a 4.094,40 pontos, enquanto o Shenzhen Composto avançou 2,08%, a 2.840,67 pontos. A exceção ficou com Hong Kong: o Hang Seng recuou 0,63%, para 22.881,02 pontos, destoando do tom positivo predominante no continente.
Nasdaq dá impulso ao setor de tecnologia
O pano de fundo para a alta veio de Wall Street. O Nasdaq, índice de forte peso tecnológico, avançou 2% na véspera e recuperou parte da perda de 4,60% registrada na semana anterior. A melhora ajudou a recompor posições em mercados asiáticos sensíveis ao ciclo global de tecnologia, especialmente Taiwan, Coreia do Sul e Shenzhen.
O setor de semicondutores segue no centro da leitura dos investidores. Empresas asiáticas de chips têm peso relevante nos índices locais e costumam reagir com força a mudanças de humor em Nova York, onde as grandes companhias de tecnologia ditam parte do fluxo global para ativos de risco.
Iene fraco aumenta pressão sobre o Japão
No câmbio, o dólar chegou a 162,42 ienes durante o pregão e terminou o dia cotado a 162,16 ienes. O patamar mantém a moeda japonesa perto de mínimas em cerca de quatro décadas e recoloca no radar a possibilidade de reação das autoridades do Japão para conter movimentos bruscos no mercado.
Um iene mais fraco tende a favorecer exportadoras japonesas, porque aumenta a competitividade dos produtos vendidos ao exterior e melhora a conversão de receitas obtidas em dólar. O outro lado é a pressão sobre importações de energia, alimentos e insumos, o que pode apertar custos para empresas e reduzir o poder de compra das famílias.
Para investidores estrangeiros, a moeda desvalorizada também barateia ativos japoneses em termos de dólar, mas amplia o risco cambial de quem aplica no país. Essa combinação ajuda a explicar por que a bolsa japonesa avança mesmo em meio à tensão no câmbio: o mercado vê ganhos potenciais nas empresas exportadoras, mas monitora o limite de tolerância das autoridades monetárias.
Mercado olha para juros nos Estados Unidos
A próxima referência para os mercados globais vem dos Estados Unidos, com indicadores de emprego previstos para o fim da semana. Números mais fortes podem reduzir as apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve; dados mais fracos tendem a reforçar a busca por ativos de risco, incluindo bolsas asiáticas e mercados emergentes.
Até lá, a combinação entre tecnologia em recuperação, dólar forte e iene pressionado deve seguir orientando os negócios na Ásia. O ponto de atenção é o câmbio japonês: quanto mais perto o dólar permanece dos níveis de 1986, maior fica a vigilância sobre uma eventual intervenção para conter a desvalorização da moeda.











