A Polícia Federal atribui a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, a manutenção de uma estrutura com orçamento de R$ 1 milhão por mês para bancar grupos de intimidação, ataques digitais e ações contra desafetos. O relatório, tornado público por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, detalha pagamentos mensais, política de bônus e até férias para integrantes do esquema investigado na Operação Compliance Zero.
O caso ganhou novo peso porque a PF descreve uma engrenagem que iria além de irregularidades financeiras. Os investigadores apontam suspeitas de fraudes, lavagem de dinheiro, coleta ilegal de dados sigilosos e pressão contra pessoas que teriam contrariado interesses do grupo ligado a Vorcaro. As menções a políticos e operadores financeiros aparecem como elementos de investigação, sem condenação criminal até aqui.
Como a PF descreve a estrutura ligada a Vorcaro
O relatório associa o orçamento mensal de R$ 1 milhão ao custeio de grupos criminosos usados para intimidação. Dentro dessa estrutura, a PF aponta pagamentos fixos, recompensas por desempenho e uma organização com divisão de tarefas, o que reforça a tese de que não se tratava de episódios isolados.
Uma das frentes citadas envolve hackers que, de acordo com a PF, recebiam R$ 75 mil por mês para promover ataques e obter informações sigilosas. A investigação também menciona repasses mensais de R$ 400 mil ao pai de Vorcaro, além de pagamentos e despesas ligados a pessoas próximas ao ex-controlador do Banco Master.
Outro ponto sensível é a suspeita de caixa paralelo. A PF aponta movimentações de R$ 114,6 milhões em cinco meses, com gastos associados a aviões, imóveis, despesas no exterior e deslocamentos. Entre os registros citados estão R$ 1,8 milhão em gastos em Courchevel, na França, e conexões com Belo Horizonte, Nova Lima e Lisboa.
Menções a políticos levam parte do caso ao Supremo
A presença de autoridades com foro privilegiado levou parte do caso ao STF. O relatório cita suspeitas envolvendo o senador Ciro Nogueira, do PP, em uma operação na qual uma empresa ligada a ele teria comprado ações de Vorcaro com desconto de 92% para receber dividendos. A referência consta como suspeita sob análise judicial, não como conclusão definitiva de culpa.
A PF também menciona hospedagens pagas por Vorcaro envolvendo Ciro Nogueira e o presidente da Câmara, Hugo Motta. Essas informações entram na linha de investigação sobre possíveis vantagens indevidas e relações políticas mantidas pelo ex-controlador do Banco Master.
A liberação do relatório por André Mendonça amplia a pressão sobre os citados e dá mais material para manifestações da Procuradoria-Geral da República, pedidos das defesas e novas decisões do Supremo. Como há políticos com foro, eventuais medidas contra essas autoridades dependem de análise no tribunal.
Banco Master já está no centro da Operação Compliance Zero
Daniel Vorcaro foi preso em março na Operação Compliance Zero. A investigação mira uma suposta organização voltada a fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e uso de estruturas paralelas para proteger interesses do grupo. O Banco Master, que tinha Vorcaro como figura central, já vinha sendo analisado por operações societárias e movimentações consideradas suspeitas pelos investigadores.
O avanço do caso ocorre em meio a outras disputas no Supremo envolvendo familiares de Vorcaro e medidas cautelares. Gilmar Mendes votou pela prisão domiciliar do pai do empresário e pela soltura de um primo, enquanto Mendonça passou a conduzir decisões relacionadas à publicidade de documentos e ao encaminhamento de pedidos no processo.
A consequência imediata da divulgação é política e judicial: a PGR pode usar os elementos para pedir novas diligências, apresentar manifestação sobre os citados ou avaliar eventual denúncia. Enquanto isso, os valores, pagamentos e vínculos descritos pela PF permanecem sob análise do Supremo.











