A Justiça dos Estados Unidos autorizou o uso de declarações de Meng Wanzhou, executiva da Huawei, contra a própria empresa em um julgamento criminal que envolve negócios no Irã. A decisão coloca de volta no centro do caso as admissões feitas por Meng no acordo firmado com autoridades americanas em 2021.
Meng, filha do fundador da Huawei, Ren Zhengfei, foi detida em Vancouver em 1º de dezembro de 2018 a pedido dos Estados Unidos. O episódio virou um dos símbolos da disputa entre Washington e Pequim no setor de tecnologia, em meio a acusações americanas de violação de sanções contra o Irã.
Em 2021, a executiva fechou um acordo de diferimento de processo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Na ocasião, admitiu ter enganado bancos sobre a relação da Huawei com operações no Irã. O acordo permitiu que ela deixasse o Canadá e retornasse à China, mas não encerrou o processo criminal contra a companhia.
Decisão reforça pressão sobre a Huawei
Ao permitir que as falas de Meng sejam usadas no julgamento da empresa, a Justiça americana dá aos procuradores um elemento relevante para sustentar a acusação. O ponto sensível é se as informações prestadas pela executiva podem demonstrar que a Huawei ocultou de bancos sua atuação ligada ao Irã.
O caso tem peso além do tribunal. A Huawei é uma das maiores fornecedoras globais de equipamentos de telecomunicações e mantém operações em diversos mercados, inclusive no Brasil. A disputa judicial se soma a anos de restrições, sanções e desconfiança estratégica dos Estados Unidos em relação à empresa chinesa.
O próximo passo é a condução do julgamento criminal nos Estados Unidos, agora com a possibilidade de que as declarações de Meng integrem a estratégia da acusação contra a Huawei.











