A Cosan anunciou nesta quarta-feira (17) a venda de 12% do portfólio agrícola da Radar, sua plataforma de terras rurais, em uma operação avaliada em R$ 1,85 bilhão. O negócio envolve 41.214 hectares localizados em Mato Grosso, destinados ao cultivo de soja, milho e algodão, e representa mais um passo da estratégia da companhia para simplificar sua estrutura societária e reduzir o endividamento.
A parcela econômica da Cosan na transação é de R$ 586 milhões. Embora o valor não represente automaticamente redução equivalente da dívida, investidores interpretaram o movimento como um avanço na agenda de desalavancagem da holding. Após o anúncio, as ações da empresa registraram alta, refletindo a expectativa de que recursos obtidos com a venda de ativos sejam direcionados para fortalecer a estrutura de capital.
O mercado acompanha há meses o processo de reorganização da Cosan, que busca reduzir a complexidade de sua estrutura e diminuir o chamado desconto de holding, aplicado por investidores a grupos com participações em diferentes negócios. O BTG Pactual avaliou que a venda pode representar um dos capítulos finais dessa reestruturação e apontou potencial de valorização para os papéis da companhia.
Enquanto avança na reorganização, a Cosan também acompanha de perto a situação da Raízen, empresa da qual é uma das controladoras ao lado da Shell. A companhia está conduzindo uma recuperação extrajudicial de R$ 64,7 bilhões e já obteve adesão de 80,15% dos credores ao plano apresentado ao mercado.
Nesse contexto, a gestora IG4 Capital prepara uma oferta não vinculante para adquirir créditos de credores da Raízen. O objetivo é formar uma posição relevante na dívida da empresa, buscando alcançar 50% mais um dos créditos envolvidos na reestruturação. Caso consiga reunir essa participação, a gestora poderá exercer influência significativa nas discussões econômicas relacionadas ao processo.
O plano de recuperação prevê a transformação de 55% da dívida em novos instrumentos de crédito e a conversão de 45% em ações. A Shell se comprometeu a aportar R$ 3,5 bilhões na companhia, enquanto a Cosan não participará com novos recursos nos termos divulgados até o momento.
A possível entrada da IG4 ocorre em um momento decisivo da reestruturação. Para os credores, a escolha envolve vender os créditos e antecipar liquidez ou permanecer no processo apostando na recuperação da companhia e na valorização futura da participação acionária decorrente da conversão da dívida.
As condições financeiras da oferta da IG4 ainda não foram divulgadas. Sem definição de preço ou adesão formal dos credores, o movimento representa, por enquanto, uma demonstração de interesse estratégico em uma das maiores reestruturações corporativas em andamento no país.
Com a venda de ativos da Radar e os desdobramentos da recuperação da Raízen, a Cosan permanece no centro das atenções do mercado financeiro, que acompanha tanto os esforços de desalavancagem da holding quanto os impactos da reestruturação de uma de suas principais investidas.











