quarta-feira, junho 17
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Economia

Venda bilionária da Cosan ocorre em meio a investida que pode reduzir poder dos Ometto na Raízen

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Venda inclui áreas agrícolas voltadas a soja, milho e algodão em Mato Grosso
  • Parcela econômica da Cosan na operação foi estimada em R$ 586 milhões
  • Companhia diz que negócio reforça plano de simplificação e redução da dívida
  • Comunicado não informa comprador, prazo de fechamento nem efeito líquido no endividamento

A Cosan anunciou nesta quarta-feira (17) a venda de 12% do portfólio agrícola da Radar, sua plataforma de terras rurais, em uma operação avaliada em R$ 1,85 bilhão. O negócio envolve 41.214 hectares localizados em Mato Grosso, destinados ao cultivo de soja, milho e algodão, e representa mais um passo da estratégia da companhia para simplificar sua estrutura societária e reduzir o endividamento.

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A parcela econômica da Cosan na transação é de R$ 586 milhões. Embora o valor não represente automaticamente redução equivalente da dívida, investidores interpretaram o movimento como um avanço na agenda de desalavancagem da holding. Após o anúncio, as ações da empresa registraram alta, refletindo a expectativa de que recursos obtidos com a venda de ativos sejam direcionados para fortalecer a estrutura de capital.

O mercado acompanha há meses o processo de reorganização da Cosan, que busca reduzir a complexidade de sua estrutura e diminuir o chamado desconto de holding, aplicado por investidores a grupos com participações em diferentes negócios. O BTG Pactual avaliou que a venda pode representar um dos capítulos finais dessa reestruturação e apontou potencial de valorização para os papéis da companhia.

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Enquanto avança na reorganização, a Cosan também acompanha de perto a situação da Raízen, empresa da qual é uma das controladoras ao lado da Shell. A companhia está conduzindo uma recuperação extrajudicial de R$ 64,7 bilhões e já obteve adesão de 80,15% dos credores ao plano apresentado ao mercado.

Nesse contexto, a gestora IG4 Capital prepara uma oferta não vinculante para adquirir créditos de credores da Raízen. O objetivo é formar uma posição relevante na dívida da empresa, buscando alcançar 50% mais um dos créditos envolvidos na reestruturação. Caso consiga reunir essa participação, a gestora poderá exercer influência significativa nas discussões econômicas relacionadas ao processo.

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O plano de recuperação prevê a transformação de 55% da dívida em novos instrumentos de crédito e a conversão de 45% em ações. A Shell se comprometeu a aportar R$ 3,5 bilhões na companhia, enquanto a Cosan não participará com novos recursos nos termos divulgados até o momento.

A possível entrada da IG4 ocorre em um momento decisivo da reestruturação. Para os credores, a escolha envolve vender os créditos e antecipar liquidez ou permanecer no processo apostando na recuperação da companhia e na valorização futura da participação acionária decorrente da conversão da dívida.

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As condições financeiras da oferta da IG4 ainda não foram divulgadas. Sem definição de preço ou adesão formal dos credores, o movimento representa, por enquanto, uma demonstração de interesse estratégico em uma das maiores reestruturações corporativas em andamento no país.

Com a venda de ativos da Radar e os desdobramentos da recuperação da Raízen, a Cosan permanece no centro das atenções do mercado financeiro, que acompanha tanto os esforços de desalavancagem da holding quanto os impactos da reestruturação de uma de suas principais investidas.