O diretor Cyrus Nowrasteh colocou Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, no centro da pré-campanha de Flávio Bolsonaro ao afirmar, nesta quarta-feira (17), em Las Vegas, que o filme pode ajudar a eleger o senador em 2026.
A declaração foi feita durante a programação do Fraud Fighter Summit, evento que recebeu a première da produção nos Estados Unidos. A fala dá contorno eleitoral explícito a um filme que já havia se tornado foco de desgaste político por causa de mensagens sobre pagamentos ligados ao projeto e ao banqueiro Daniel Vorcaro.
A produtora afirma que Dark Horse custou R$ 75 milhões. A cifra ganhou peso fora do cinema depois que mensagens divulgadas indicaram que Flávio pediu a Vorcaro prioridade em repasses ao filme. Em janeiro de 2025, segundo esses registros, o banqueiro autorizou R$ 61 milhões para a produção após o pedido do senador.
Filme vira ativo político antes da campanha oficial
O ponto sensível é a passagem de uma obra apresentada como cinebiografia para um instrumento assumido de mobilização eleitoral. Ao dizer que o filme pode ajudar Flávio Bolsonaro nas urnas, Nowrasteh reforçou a leitura de que a produção não circula apenas como produto cultural, mas também como peça de disputa política num momento em que o senador tenta se consolidar como nome do bolsonarismo para 2026.
Estrelado por Jim Caviezel, Dark Horse busca retratar Jair Bolsonaro para uma audiência internacional e para a base de apoiadores no Brasil. O título, porém, passou a carregar um custo adicional para Flávio: a discussão sobre quem financiou a obra, como os pagamentos foram priorizados e se a exploração política do filme pode produzir questionamentos na Justiça Eleitoral.
A crise já havia atingido a pré-candidatura antes da première. Depois da divulgação das mensagens, Flávio atribuiu o contato com Vorcaro a conversas sobre a produção do filme e tentou conter o impacto político do episódio. Pesquisas eleitorais publicadas nas últimas semanas também apontaram aumento de desgaste para o senador no ambiente criado pelo caso.
Eduardo Bolsonaro defende guerra cultural e evita Vorcaro
Na mesma agenda em Las Vegas, Eduardo Bolsonaro tratou o filme como parte de uma “guerra cultural” e defendeu seu potencial político. A fala se encaixa na estratégia de apresentar a obra como reação ideológica da direita, mas o deputado evitou aprofundar a discussão sobre Daniel Vorcaro, personagem central das mensagens sobre os repasses.
Essa combinação amplia a tensão em torno de Dark Horse: aliados de Bolsonaro querem usar o filme como vitrine política, enquanto adversários veem na produção uma linha de ataque contra Flávio por causa do financiamento e da proximidade com Vorcaro. A declaração do diretor torna mais difícil separar, no debate público, a estreia do filme da campanha presidencial que se aproxima.
Até agora, não há decisão eleitoral que enquadre a fala de Nowrasteh como propaganda antecipada, nem decisão judicial que atribua crime eleitoral a Flávio Bolsonaro por causa do filme. Esse dado é relevante porque a controvérsia, neste momento, está concentrada no uso político da obra e nos repasses mencionados nas mensagens, não em uma condenação eleitoral.
Justiça Eleitoral pode virar próxima arena
Se partidos, candidatos ou o Ministério Público Eleitoral provocarem o Tribunal Superior Eleitoral, a corte poderá discutir os limites entre divulgação cultural, promoção pessoal e campanha antecipada. A eventual análise tende a considerar o conteúdo do filme, a forma de distribuição, os eventos de lançamento e o uso da obra por aliados de Flávio.
Na frente financeira, o foco permanece sobre as mensagens que citam o pedido de prioridade feito por Flávio e o repasse de R$ 61 milhões ao projeto. A produtora sustenta o custo total de R$ 75 milhões, valor incomum no mercado brasileiro e que ajuda a explicar por que a cinebiografia deixou de ser apenas um lançamento político-cultural para virar tema de investigação e de disputa eleitoral.
O efeito imediato da fala de Nowrasteh é político: Dark Horse entra de vez na vitrine da campanha de 2026. Para Flávio Bolsonaro, o filme pode mobilizar a base fiel do pai, mas também mantém aberta a pressão sobre a origem dos recursos e sobre o uso eleitoral de uma produção financiada sob questionamento.











